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“Maxinquaye” de Tricky (1995)

Adrian “Tricky” Thaw deixou de ser popular tão rápido que hoje é difícil explicar porque a ideia de um projeto solo desse artista era tão empolgante. Por conta de seus péssimos álbuns lançados depois, o trabalho do antigo rapper do Massive Attack agora faz parte de um cantinho no lixo da história catalogado como “cultura pop dos anos 90″.

Em meados dos anos 90, o marcante álbum de estreia do Massive Attack, Blue Lines, tinha determinado novas tendências para a música contemporânea da Europa Ocidental. Qualquer inovação dentro da forma (amplamente denominada trip-hop) era esperada com muita expectativa, ainda mais quando se tratava de um trabalho de um ex-integrante da banda.

Essencialmente, Tricky adotou o estilo da música “Five Man Army”, do Massive Attack, e reforçou a atmosfera claustrofóbica e ameaçadora: efeitos sonoros, inflexões dub, samples e voz retorcidos e distorcidos. A música é por vezes lânguida, outras vezes violenta, experimental, mas nunca auto-indulgente. Contudo, Maxinquaye também dialogava com o rock moderno, transformando “Black Steel In The Hour Of Chaos:, do Public Enemy, num rock alternativo com guitarras distorcidas. O tom áspero de Tricky, típico de Bristol, continua desconcertante (a sua colega do Massive Attack, Martine, acrescentou a sua voz aveludada à música “Ponderosa”). Ainda que seja autobiográfico em alguns momentos, Maxinquaye deixa de lado a arrogância das letras do hip-hop e opta por explorar o filão da paranoia e do ódio com tonalidades raciais.

Inovador e provocante, com arranjos e produção majestosos e complexos, o álbum abriu caminho para a música falada na Grã-Bretanha. Por breves instantes, o rap britânico pareceu viável.

Ponderosa: YouTube Preview Image

Black Steel: YouTube Preview Image

Hell Is Around The Corner: YouTube Preview Image

Aftermath: YouTube Preview Image

Brand New You’re Retro: YouTube Preview Image

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