Ute Lemper é como uma viagem no tempo até uma época mais glamourosa, quando mulheres no estilo Greta Garbo frequentavam os clubes da República de Weimar, e uma senhora nunca acendia o próprio cigarro em público. Esta artista alemã demonstrou ser tão versátil como as estrelas da época dourada de Hollywood, recebendo elogios pelos seus trabalhos em teatro, cinema e música. Era a candidata perfeita para divulgar o songbook de Kurt Weill, o que fez em duas coletâneas, em 1992 e 1993, revitalizando também Berlin Cabaret Songs, em 1997.
Deixando de lado o passado, Lemper controu-se pela primeira vez em compositores contemporâneos neste decadentemente belo Punishing Kiss. Claro que Lemper só aceitaria participar desse jogo se tivesse as cartas a seu favor. A cantora não teve de se adaptar muito ao novo material, já que Elvis Costello, Tom Waits e os outros compositores presentes no álbum foram fortemente influenciados por Weill.
A capa deixa claro o tom contemporâneo do disco, mostrando a cantora vestida com uma capa negra de couro perambulando por um cenário industrial, como se fosse a Mulher Gato. A primeira faixa, “The Case Continues”, é uma história policial pulp contada numa música. As três músicas compostas por Elvis Costello adaptam-se perfeitamente ao ambiente escuro e dramático do disco. A versão de Lemper para “Purple Avenue”, de Waits, é formidável, e ela confere um toque de musical da Broadway à música de Nick Cave, “Little Water Song”. Neil Hannon e Joby Talbot do Divine Comedy se encarregam do acompanhamento musical em quase todas as faixas e também compuseram três belas músicas. No meio disso, Lemper introduz “Tango Ballad”, de Weill, como se fosse a última peça de um quebra-cabeça.






