Arquivos

Categorias

“1984″ do Van Halen (1984)

1984 mostra a visão machista e agressiva que o vocalista do grupo, David Lee Roth, tinha da Califórnia do princípio dos anos 80: um lugar onde o sexo vem em primeiro lugar, sejam pernas excitantes ou professoras que seduzem seus alunos.

1984 não é um álbum profundo no que diz respeito às letras, mas foi revolucionário pelo seu som. Num momento em que a new wave era o gênero pop dominante, uma banda de metal fez algo impensável e incluiu teclados no seu som. Olhando para trás, é possível pensar que já havia indícios de um novo caminho quando Eddie Van Halen, guitarrista e líder musical, tinha tocado no megassucesso musical de Michael Jackson – “Beat It”, de 1983 -, e, aparentemente, tinha insistido na ideia de incluir sintetizadores nos álbuns anteriores de Van Halen. Encontrou alguma resistência na época, sobretudo por parte de Roth. Mas em 1984 a banda concordou com a visão de Eddie e a aposta musical teve amplo retorno: o álbum vendeu dez milhões de cópias e o single “Jump” tornou-se um clássico.

“Jump” traz Eddie nos teclados, mas a maioria das músicas do álbum – exceto a instrumental “1984″ e a balada “I’ll Wait”, cheia de sintetizadores – provou que ele não tinha deixado de ser um virtuose na guitarra. A alegria transbordante de Roth transparece sempre, uma encarnação do jeitão adolescente da banda que parece estar em toda parte, especialmente em “Panama”, uma música que é ao mesmo tempo sobre uma mulher sedutora e sobre um carro esporte. Pode ser uma palhaçada ridícula, mas era exatamente esta a questão.

Jump: YouTube Preview Image

1984: YouTube Preview Image

I’ll Wait: YouTube Preview Image

Panama: YouTube Preview Image

“Van Halen” do Van Halen (1978)

A história do thrash em meia hora? Com o tempo de duração mais curto desde as primeiras investidas dos Beatles, o novo Led Zeppelin reescreveu o manual de instruções. Antes, o hard rock fazia barulho; agora, fazia pular.

O líder David Lee Roth, o baixista Michael Anthony, o baterista Alex Van Halen e seu irmão, o guitarrista Eddie Van Halen, foram descobertos em 1976 por Gene Simmons, o ídolo do Kiss. Ele botou a banda para gravar a;guns demos – que incluíram faixas para o novo disco do Kiss, Love Gun – e tentou sem sucesso recrutar Eddie.

Mas o Kiss, como todas as bandas de hard rock, foi obscurecido pelo Van Halen – e nada explica melhor o porquê do que este impressionante álbum de estreia.

Das buzinas de carro que anunciam “Runnin’ With The Devil” à arrasadora “On Fire”, o disco é uma mistura insuperável de elegância sonora e letras lascivas. O que destacar? Pode-se começar com “Eruption”, um show de Eddie, que, segundo a revista Guitar World, só perde para o solo de guitarra de “Starway To Heaven”. Ou “You Really Got Me”, uma versão dos Kinks considerada superior à original pelo próprio Ray Davies; ou “Ain’t Talkin’ ‘Bout Love”, sampleada pelo 2 Live Crew e pelo Apollo 440 (e o riff do super-sucesso de 1988 “Wild Thing”, de Tone Loc, foi tirado de “Jamie’s Cryin’”); ou “Ice Cream Man”, composta por John Brim, um músico de blues, mas com uma originalidade emprestada por Roth.

Em 1999, a Recording Industry Association of America (RIAA) premiou o Van Halen com um disco de diamante, pela venda de 10 milhões de cópias nos Estados Unidos. Entre os compradores dos discos certamente se incluem os que perpetraram o “hair metal” dos anos 80, mas não se deve amaldiçoá-los. Eles pecaram, sim, mas a causa era nobre. Como disse Roth, “nós vendemos esperança, fé e júbilo, exatamente como um monte de religiões”.

Runnin’ With The Devil: YouTube Preview Image

On Fire: YouTube Preview Image

Eruption: YouTube Preview Image

You Really Got Me: YouTube Preview Image

Ain’t Talkin’ ‘Bout Love: YouTube Preview Image

Jamie’s Cryin’: YouTube Preview Image

Ice Cream Man: YouTube Preview Image

Copyright © 2010 - Folha da Manhã - Todos os direitos reservados