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“It’s Too Late To Stop Now” de Van Morrison

Depois de ter passado boa parte do início dos anos 70 produzindo uma série de discos em estúdio, Van Morrison fez uma turnê com a Caledonia Soul Orchestra. Os shows foram gravados na California e em Londres, dando origem a este maravilhoso álbum duplo, um dos melhores de todos os tempos, apontado como o auge da carreira de Morrison.

O guitarrista John Platania, o trompetista Jack Schroer, o baterista David Shaw e o tecladista Jeff Labes eram nomes habituais da banda de Morrison. A inclusão de um naipe de cordas proporcionou uma magia extra, em especial em “Here Comes The Night”, que ficou totalmente diferente da gravação original, de 1965, no álbum Them.

Várias faixas são versões de músicas dos artistas de soul preferidos de Morrison – Bobby Bland, Ray Charles, Sam Cooke e Sonny Boy Williamson. A maioria das canções de Morrison era de seus discos mais recentes (Moondance, His Band And Street Choir, Saint Dominic’s Preview e Hard Nose The Highway). A ausência de material de Tupelo Honey explica-se pela insistência de Morrison em que este álbum fosse realmente ao vivo, sem overdubs (daí a omissão da faixa-título de Moondance – ao vivo, o número desafina). A música final, longa e maravilhosa, é a única extraída de Astral Weeks, talvez o álbum que tenha lançado Morrison como um grande artista solo.

O disco não entrou nas paradas inglesas, embora tenha chegado ao 53o lugar nos Estados Unidos. Infelizmente, a banda começou a se desfazer depois de Veedon Fleece, o álbum seguinte de Morrison, gravado em estúdio. Quem assistiu a qualquer um dos shows de It’s Too Late To Stop Now nunca vai esquecer.

Here Comes The Night: YouTube Preview Image

Warm Love: YouTube Preview Image

Into The Mystic: YouTube Preview Image

Saint Dominic’s Preview: YouTube Preview Image

Gloria: YouTube Preview Image

Caravan: YouTube Preview Image

Cypress Avenue: YouTube Preview Image

“Moondance” de Van Morrison

Astral Weeks, o LP de 1968 de Van Morrison, o tornou um heroi cult. Mas Moondance foi seu primeiro álbum a entrar nos Top 30, e também o primeiro a ganhar o disco de platina.

Morrison estava vivendo no paraíso rural de Woodstock quando compôs boa parte das músicas do disco, mas acabou saindo dali por conta da invasão de novos moradores depois do famoso festival. Alguns dos músicos reunidos para este álbum continuaram com ele durante anos, como o guitarrista John Platania, o trompetista Jack Schroer e o tecladista Jeff Labes.

Moondance mostra o talento de mestre de Van Morrison como compositor e vocalista. Em contraponto ao acústico Astral Weeks, o álbum apresenta um som maior, mais robusto, com um naipe de metais que acrescenta potência à música; as canções são mais bem estruturadas, com menos improvisação. O lado A do LP é quase perfeito. “And It Stoned Me” traça um quadro detalhado da adolescência, enquanto a jazzística faixa-título é, até hoje, uma das músicas mais importantes da carreira de Morrison. Uma etérea balada de marinheiros, “Into The Mystic” é uma reflexão emocionada sobre o esplendor do amor, na qual o arrepiante naipe de cordas combina maravilhosamente com os vocais. No mais, um ar comemorativo, quase de alegria espiritual, permeia várias faixas – como as três últimas: “Brand New Day”, “Everyone” e “Glad Tidings”.

Em 1971, Helen Reddy fez sucesso nos Estados Unidos com “Crazy Love” e a versão de Johnny Rivers para “Into The Mystic” chegou às paradas em 1970. O próprio Van ficou entre os Top 40 com “Come Running”. Sua carreira solo estava em ascensão.

And It Stoned Me: YouTube Preview Image

Moondance: YouTube Preview Image

Into The Mystic: YouTube Preview Image

“Astral Weeks” de Van Morrison

Quando Van Morrison, aos 23 anos, gravou Astral Weeks, não tinha muito o que provar. Já havia emplacado singles nas paradas dos Estados Unidos e da Inglaterra – “Gloria” e “Brown-Eyed Girl” -, e quando ele juntou, em Nova York, um time robusto de talentosos músicos de jazz, o mundo sabia que viria algo muito especial.

Morrison sempre quis fazer jazz – apesar de ter sido rotulado primeiro como um artista folk e, depois, de blues – e, em Astral Weeks, deu plena expansão a esse sentimento, encontrando no gênero um complemento perfeito para suas letras complexas. O álbum foi gravado em apenas dois dias e Morrison praticamente não orientou os músicos, nem explicou o sentido das letras, deixando a banda à vontade para o improviso instrumental.

Ele nunca tinha sido tão lírico e evasivo em sua poesia. “Madame George” é uma apaixonada fantasia, que se passa em sua Belfast natal, sobre um artista drag retratado em tons pastel, como num sonho, enquanto “Sweet Thing” é uma canção de amor eletrizante que arrepia os cabelos já no primeiro acorde do violão.

É bom dizer que a Warner Brothers, conhecida por respeitar seus artistas, admitiu que Morrison rendia melhor em LP, embora, talvez, o tivesse contratado para enfileirar singles nas paradas, e absorveu sem dificuldades o fraco desempenho comercial de Astral Weeks. Os críticos até hoje aplaudem a genialidade demonstrada por Morrison em seu primeiro e fascinante trabalho solo, e o álbum, com frequência, aparece bem colocado nas listas de melhores discos de todos os tempos.

Madame George: YouTube Preview Image

Sweet Thing: YouTube Preview Image

The Way Young Lovers Do: YouTube Preview Image

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