O segundo álbum do trio de Newcastle possui a rara distinção de ter dado nome a todo um gênero musical. O black metal, como o dos pioneiros noruegueses Mayhem e Emperor, é uma vertente cult do ultrathrash caracterizada por sua fúria herege e ruídos gélidos. A cena adquiriu fama internacional nos anos 90, quando alguns de seus membros foram condenados por assassinato e por incenciar igrejas. Ironicamente, os pais desse movimento radicalmente extremista estavam apenas se divertindo.
Inspirados pela extravagância visual do Kiss e a atitude punk, o Venom combinou o primitivismo sonoro com imagens pseudo-satânicas. O trio, vestido de couro e carregado de correntes, não tinha o talento instrumental do Iron Maiden, mas compensava isso com imaginação e humor. A capa de Black Metal trazia um falso símbolo antipirataria no qual estava escrito: “As gravações domésticas em fitas cassetes estão acabando com a música… O Venom também”.
As músicas eram explosões rudimentares de ritmos desenfreadamente frenéticos e riffs violentos, sobre os quais Cronos vomitava cenários de pesadelos (“Buried Alive”, “Raise The Dead”), mitologia do horror (“Countess Bathory”) e obscenidades alegres (“Teacher’s Pet”).
A verba “inexistente” para produção fez com que soassem como se estivessem dentro de uma masmorra. O baterista Abbdon começava a faixa-título usando uma serra elétrica para cortar uma porta. Este álbum era pura provocação no melhor estilo e irritou críticos e pais. Poucos teriam previsto que esse absurdo espetáculo burlesco daria luz a uma subcultura genuinamente dark.






