O álbum de estreia de Violent Femmes redefiniu o termo “sucesso gradual”, porque demorou oito anos até chegar ao Disco de Ouro (um milhão de cópias), sem nunca perturbar os cronistas do Top 200 da Billboard. O selo discográfico Slash não tinha do que se queixar, pois contrataram o trio cult de Milwaukee pela módica quantia de 50 dólares. Bem-vindos ao maravilhoso e estranho mundo de Violent Femmes.
Como seria de se esperar de uma banda “descoberta” enquanto tocava na rua, o som da banda era cru e inquieto, característica que se perdeu na transposição do som ao vivo para as gravações em estúdio. A banda conservava o seu vigor através da sua sofisticação: o trio era composto por um baixo acústico, a lendária bateria de Victor De Lorenzo e uma guitarra.
Juntos, os instrumentos passam de uma atmosfera urgente (“Kiss Off”) para a languidez amorosa de “Please Do Not Go”, na qual as cordas do baixo de Brian Ritchie ressoam no estômago. A imagem principal da banda como guardiões do geek-cool emana das letras impregnadas da angústia vital de Gordon Gano e em sua interpretação tão sentimental que quase parece uma paródia.
Poucos chegaram a atingir a intensidade da sensação de perseguição e alienação de Gano, e nenhum tinha seu humor. Ele lamenta ardentemente sua passividade em “Add It Up” – “Por que não consigo uma trepada? Acho que tem algo a ver com sorte” – e consegue sair de um exame de alma colocado a cru para uma compreensão hilariante em uma rápida e amarga virada.
“Garotos estranhos”, tanto na performance quanto na plateia, são a essência do rock, e poucos conseguiram articular sua visão de mundo com tanto brilhantismo quanto Violent Femmes.






