No início dos anos 70, viver numa cidade, nos Estados Unidos, era uma experiência dicotômica, especialmente em Los Angeles – onde os sonhos de Hollywood contrastavam de forma gritante com a realidade do cotidiano das crescentes comunidades latinas e afro-americanas. A divergência de culturas criou um estado de tensão (os distúrbios raciais em Watts, em 1965, ainda doíam na memória coletiva), mas também proporcionou um terreno fértil para a música, no qual surgiram bandas como Sly And The Family Stone e War.
O War, uma covergência de jazz, funk, rock e influências latinas, tinha feito sucesso com “Spill The Wine”, um single que contava com Eric Burdon, ex-líder dos Animals. Os sete integrantes do War seguiram em frente e gravaram dois álbuns muito promissores. Mas foi em The World Is A Ghetto que a banda utilizou todo o seu potencial. O título sugeria uma manifestação política pública, mas a capa de Howard Miller transmitia a vibração iluminada do álbum – a ilustração mostra um Rolls Royce, com um pneu furado, preso no gueto. De fato, “The Cisco Kid”, com seu sabor latino (uma homenagem irônica ao heroi do cinema dos anos 50), e a funky “Where Was You At” são totalmente apolíticas, num tom muito mais de celebração da vida do que de proselitismo. Mesmo as letras da faixa-título trazem a mensagem otimista de um amor nascido do smog da cidade.
A extraordinária reação positiva ao álbum (foi o mais vendido de 1973) mostra como o War soube traduzir a experiência urbana. A banda continuou a fazer sucesso ao longo da década, mas The World Is A Ghetto ainda é seu trabalho mais coeso e satisfatório.




