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“Yankee Hotel Foxtrot” do Wilco (2002)

Esta é uma história clássica do tipo David e Golias. O Wilco entregou seu quarto álbum à Warner/Reprise; os executivos deram uma ouvida, não viram possíveis sinais de lucro para o disco e tomaram a infame decisão de curto prazo de abandonar a banda.

Com isso em mente, fica fácil entender porque os amantes da música tendem a superdimensionar o brilho de Yankee Hotel Foxtrot. Fellizmente o álbum é mesmo brilhante. Desde o prelúdio de um minuto de zumbido cósmico, piano delicado e estática estridente que iniciam a primeira faixa do disco, “I Am Trying To Break Your Heart”, fica claro que a banda se aventura num território inexplorado.

As letras de Jeff Tweedy são intensamente pessoais, políticas e evocam fortes imagens. O tom do álbum é etéreo e distorcido, ainda que belo e sereno. A atmosfera sombria de “Poor Places” e de “Radio Cure” encontra o equilíbrio perfeito em pérolas do pop como “Heavy Metal Drummer” ou “I’m The Man Who Loves You”. Inspirado pelas transmissões de rádio em ondas curtas, das quais o álbum tirou seu nome, o produtor Jim O’Rourke criou uma textura sonora que evoca interferência de sinais e longas distâncias.

Quando foi lançado, os críticos babaram e os fãs fizeram fila, ávidos por pagar pela música que tinham armazenado em seus discos rígidos por mais de um ano. O álbum iria se tornar o primeiro disco de ouro do Wilco.

I Am Trying To Break Your Heart: YouTube Preview Image

Poor Places: YouTube Preview Image

Radio Cure: YouTube Preview Image

Heavy Metal Drummer: YouTube Preview Image

I’m The Man Who Loves You: YouTube Preview Image

“Mermaid Avenue” de Billy Bragg And Wilco (1998)

Em 1992, em Summerstage, Nova York, o politizado músico inglês de folk-rock Billy Bragg atuou num show que celebrava o aniversário de Woodie, Nora Guthrie, que soube imediatamente que Bragg era o homem capaz de musicar algumas das muitas letras de seu pai.

Bragg aceitou o desafio de Nora em 1995, mas descobriu que a tarefa de explorar os arquivos era assustadora e que não podia fazer justiça às músicas se trabalhasse sozinho. Dois anos mais tarde, pediu ajuda ao grupo norte-americano de country alternativo Wilco.

Mermaid Avenue traz na capa o nome e a imagem da rua de Coney Island, Brooklin, onde Guthrie tinha vivido com a sua família durante a Segunda Guerra Mundial. Gravado primeiro em Chicago e depois em Dublin, o álbum captou um som orgânico com reminiscências de bluegrass primitivo e folk rock. Foi um sucesso para Bragg e Wilco, e lhes valeu uma menção honrosa nos “Discos Essenciais dos Anos 90″ da Rolling Stone.

“Walt Whitman’s Niece” é cativante pelas suas alegres vozes e guitarras, enquanto “Way Over Yonder In The Minor Key” é uma balada folk sustentada pela voz angelical de Natalie Merchand. “California Star” tinha sido subestimada por Bragg, mas a doce evocação dos céus estrelados feita por Jeff Tweedy, do Wilco, enternece o coração. “Hoodoo Voodoo” é um conto infantil a que Wilco dá vida; “Ingrid Bergman” professa o amor secreto de Guthrie pela estrela sueca.

Walt Whitman’s Niece: YouTube Preview Image

Way Over Yonder In The Minor Key: YouTube Preview Image

California Star: YouTube Preview Image

Hoodoo Voodoo: YouTube Preview Image

Ingrid Bergman: YouTube Preview Image

“Being There” de Wilco (1996)

O álbum de estreia de Wilco em 1995, A.M., foi um disco de country sólido que seguia o caminho natural das explorações musicais que o líder, Jeff Tweedy, tinha feito com o seu grupo anterior, Uncle Tupelo. Nesse sentido, A.M. era muito próximo a outra estreia de 1996 – Trace, do veterano Jay Farrar’s Son Volt, seu parceiro do Tupelo.

Por outro lado, o segundo álbum de Wilco pode ser visto como o primeiro grande salto musical numa carreira que se distingue por saltos artísticos amplos e rápidos. Tendo trilhado o caminho das raízes durante cinco discos, Tweedy parecia mais preocupado com pensar para onde a música iria seguir do que em saber de onde ela vinha. Being There foi construído com paredes de som e corredores labirínticos usando pura magia de estúdio. O álbum chocou diversos fãs leais do country alternativo, mas também permitiu que Wilco alcançasse um novo público fora da base de fãs restrita de No Depression.

A arte do álbum é enganadoramente simples – uma mão segura o braço de uma guitarra na capa e, na contracapa, desdos tocam piano de forma graciosa – e não revela o conteúdo riquíssimo desse trabalho, repleto de estilos em suas 19 músicas divididas em dois discos. Começando com “Misunderstood”, um híbrido poderoso que oscila entre uma balada terna e ruídos cheios de feedback de guitarras, depois continua no estilo do Tupelo em faixas como “Far, Far Away” e “Forget The Flowers”, para passar a um rock mais no estilo Rolling Stones em “Monday” e “Outtasite (Outta Mind)”.

Being There, nome inspirado no filme de Peter Sellers de 1979, recebeu o reconhecimento quase unânime da crítica, mas as vendas foram apenas medianas, atingindo o 73o lugar na parada da Billboard e levando sete anos para se tornar disco de ouro.

Misunderstood: YouTube Preview Image

Far, Far Away: YouTube Preview Image

Forget The Flowers: YouTube Preview Image

Monday: YouTube Preview Image

Outtasite (Outta Mind): YouTube Preview Image

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