Esta é uma história clássica do tipo David e Golias. O Wilco entregou seu quarto álbum à Warner/Reprise; os executivos deram uma ouvida, não viram possíveis sinais de lucro para o disco e tomaram a infame decisão de curto prazo de abandonar a banda.
Com isso em mente, fica fácil entender porque os amantes da música tendem a superdimensionar o brilho de Yankee Hotel Foxtrot. Fellizmente o álbum é mesmo brilhante. Desde o prelúdio de um minuto de zumbido cósmico, piano delicado e estática estridente que iniciam a primeira faixa do disco, “I Am Trying To Break Your Heart”, fica claro que a banda se aventura num território inexplorado.
As letras de Jeff Tweedy são intensamente pessoais, políticas e evocam fortes imagens. O tom do álbum é etéreo e distorcido, ainda que belo e sereno. A atmosfera sombria de “Poor Places” e de “Radio Cure” encontra o equilíbrio perfeito em pérolas do pop como “Heavy Metal Drummer” ou “I’m The Man Who Loves You”. Inspirado pelas transmissões de rádio em ondas curtas, das quais o álbum tirou seu nome, o produtor Jim O’Rourke criou uma textura sonora que evoca interferência de sinais e longas distâncias.
Quando foi lançado, os críticos babaram e os fãs fizeram fila, ávidos por pagar pela música que tinham armazenado em seus discos rígidos por mais de um ano. O álbum iria se tornar o primeiro disco de ouro do Wilco.


















