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“Enter The Wu-Tang (36 Chambers)” do Wu-Tang Clan (1993)

Em 1993 o foco do rap tinha mudado. Agitadores políticos como o Public Enemy foram substituídos por gangstas drogados como Snoop. Mas o Wu-Tang abriu um caminho especial. As suas rimas se afastavam completamente dos clichês habituais do rap (drogas, armas e mulheres). Usavam o palavreado tradicional do hip-hop, mas filtrado pelo vocabulário fascinante das artes marciais.

Musicalmente estavam a anos-luz do muro de ruído do Public Enemy e do G-Funk de Snoop. Samples mínimos de piano e baixo eram mixados ao que o líder supremo do Wu-Tang, “RZA”, descreveu como “o bumbo e a caixa e os metais e o boom e o bap e os gritos”.

Por cima disso tudo havia muitas vozes: Method Man, Ol’Dirty Bastards, Ghostface Killah e Raekwon, além de GZA. Na retaguarda vinha U-God (que mais tarde confessou não ter interesse algum por artes marciais) e Rebel INS.

Comparando-se a um enxame de abelhas assassinas, o Wu-Tang se espalhou por toda a indústria musical. Na época composto por oito integrantes, o grupo gerou uma série aparentemente infinita de projetos solo ou afiliados a eles, continuando até hoje, como no caso do The Pretty Toney Album de Ghostface, em 2004.

Mesmo depois de uma década de saturação, a estreia do Wu-Tang ainda soa como um trabalho único. Pode ter sido um episódio de genialidade, ou non sense muito bem concebido, mas, de qualquer forma, o disco possui uma excentricidade energética por excelência.

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