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“Apple Venus Volume 1″ do XTC (1999)

Se algum brincalhão tivesse passado a alguém uma cópia sem nome de Apple Venus Volume 1, do XTC, em 1999, alegando que se tratava da obra-prima até então perdida de Brian Wilson, Smile, não teria sido difícil acreditar. Na verdade, este ensolarado e esperançoso álbum acabou se tornando uma das obras-primas menos conhecidas da fase posterior do XTC, um fantástico disco de pop altamente orquestrado, adorado pelos críticos e basicamente ignorado pelo público. O fato de a banda nunca ter feito shows para promovê-lo certamente não ajudou as vendas. Além disso, o XTC fazia intervalos de sete anos entre cada disco.

Ainda assim é inegável a potência de Apple Venus Volume 1, que continua a ser um dos melhores discos do grupo. O álbum desenvolve as vibrações psicodélicas no estilo dos Beach Boys, já presentes em Nonsuch, com várias camadas de harmonias vocais, uma experimentação contida e passagens tocadas pela London Session Orchestra. O momento mais dramático surge com a abertura de “River Of Orchids”, com uma lenta passagem de um discreto arranjo de cordas para uma hipnótica sinfonia de sons e vozes em espiral. Depois, Partridge sussurra sobre os ritmos de “I’d Like That” e valsa por entre violinos e trompetes em “Easter Theatre”.

Ainda que o álbum lembre mais o trabalho de Partridge com Martin Newell e Harold Budd em meados dos anos 90 do que outros discos do XTC, não deixa de ser um item importante na discografia da banda. Na verdade, as duas composições de Colin Moulding estão entre as melhores do trabalho.

River Of Orchids: YouTube Preview Image

I’d Like That: YouTube Preview Image

Easter Theatre: YouTube Preview Image

“Skylarking” do XTC (1986)

O conflito cria arte? A antipatia mútua entre o líder da banda, Andy Partridge, e o produtor Todd Rundgren era tão profunda que não deixa de ser surpreendente que todos os envolvidos tenham saído do estúdio sem enlouquecer. É também um milagre que a música criada no processo tenha sido tão arrebatadora.

O objetivo era modesto: criar um álbum conceitual que partisse da infância, passasse pelo despertar da sexualidade, o casamento, a velhice e, finalmente, a morte, tudo no período de um dia. Não era exatamente uma abordagem que agradasse aos executivos da gravadora, que estavam colocando pressão no grupo – que não fazia mais turnês devido ao pânico de palco de Partridge – para gerar músicas de sucesso.

O que eles criaram foi uma obra-prima idílica que a Rolling Stone classificou como um dos 50 melhores álbuns da década. As primeiras faixas, “Summer’s Cauldron” e a idílica “Grass”, são sobre uma moleza vaga de verão e cercas vivas zumbindo como insetos, o que não deixa de ser irônico, porque a demo da primeira música foi gravada no frio de janeiro. “The Meeting Place” (com um vídeo inspirado pela série cult de TV O Prisioneiro) celebra momentos roubados, e “Season Cycle” é Brian Wilson visto pelo prisma da Inglaterra rural.

Os álbuns conceituais em geral têm problemas porque é preciso seguir uma linha narrativa, algo que muitas vezes ultrapassa a capacidade de composição do artista. Neste disco, contudo, o movimento de verão para outono e depois inverno não tem rupturas – do jazz de “The Man Who Sailed Around His Soul” à carta cáustica ao Todo-Poderoso em “Dear God”, passando pelo lamento rústico de “Sacrificial Bonfire”.

Summer’s Cauldron: YouTube Preview Image

Grass: YouTube Preview Image

The Meeting Place: YouTube Preview Image

Season Cycle: YouTube Preview Image

The Man Who Sailed Around His Soul: YouTube Preview Image

Dear God: YouTube Preview Image

Sacrificial Bonfire: YouTube Preview Image

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