No princípio havia Donna Summer. Ela disse que a música disco, as baterias e as guitarras de rock deveriam viver em harmonia e que isso era bom (ou melhor, era seu Bad Girls). Mais tarde, Eddie Van Halen consumou a união com sua guitarra em “Beat It”, de Michael Jackson, e no seu próprio “Jump”. Em confronto com tais ídolos, os membros do ZZ Top corriam o risco de parecer aqueles tios de quem todos têm vergonha. Mas souberam conjurar uma obra-prima de electro-boogie que igualou Eddie tanto em diversão quanto am vendas (10 milhões de cópias e ainda subindo).
O trio texano brincou com os novos aparelhos de fazer ruídos em El Loco (1981). Depois, em Eliminator, dedicaram-se à tarefa com tal confiança que alguns suspeitaram de que o baterista Frank Beard tivesse sido substituído por baterias eletrônicas nas músicas. A verdade era que suas batidas limpas e a marcação do baixo de Dusty Hills eram simples suportes para a estrela, o guitarrista Billy Gibbons – sempre envolvendo as letras com os seus licks furiosos, sem nunca se tornar auto-indulgente, como outros solistas.
Este não é um disco de hard-rock. Temos a triste “I Need You Tonight” e o tour de force de baixo slap em “Thug”. “Gimme All Your Lovin’”, Sharp Dressed Man” e “Legs” foram as músicas que levaram Eliminator ao auge. Uma das chaves para esse sucesso foram os vídeos de Tim Newman que sempre tocavam na MTV e que converteram o ZZ Top em um anacronismo divertido entre carros e mulheres (note-se a ilustração chamativa de Tom Hunnicutt na capa, mostrando um hot rod que ganha vida). “Decidimos que as mulheres eram muito mais bonitas que nós” – explicava Beard – “e que o carro era ainda mais bonito”.
E foi assim que uma pequena banda do Texas alcançou o estrelato. Eliminator tornou-se um clássico, e vimos que era bom.












