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“Eliminator” do ZZ Top (1983)

No princípio havia Donna Summer. Ela disse que a música disco, as baterias e as guitarras de rock deveriam viver em harmonia e que isso era bom (ou melhor, era seu Bad Girls). Mais tarde, Eddie Van Halen consumou a união com sua guitarra em “Beat It”, de Michael Jackson, e no seu próprio “Jump”. Em confronto com tais ídolos, os membros do ZZ Top corriam o risco de parecer aqueles tios de quem todos têm vergonha. Mas souberam conjurar uma obra-prima de electro-boogie que igualou Eddie tanto em diversão quanto am vendas (10 milhões de cópias e ainda subindo).

O trio texano brincou com os novos aparelhos de fazer ruídos em El Loco (1981). Depois, em Eliminator, dedicaram-se à tarefa com tal confiança que alguns suspeitaram de que o baterista Frank Beard tivesse sido substituído por baterias eletrônicas nas músicas. A verdade era que suas batidas limpas e a marcação do baixo de Dusty Hills eram simples suportes para a estrela, o guitarrista Billy Gibbons – sempre envolvendo as letras com os seus licks furiosos, sem nunca se tornar auto-indulgente, como outros solistas.

Este não é um disco de hard-rock. Temos a triste “I Need You Tonight” e o tour de force de baixo slap em “Thug”. “Gimme All Your Lovin’”, Sharp Dressed Man” e “Legs” foram as músicas que levaram Eliminator ao auge. Uma das chaves para esse sucesso foram os vídeos de Tim Newman que sempre tocavam na MTV e que converteram o ZZ Top em um anacronismo divertido entre carros e mulheres (note-se a ilustração chamativa de Tom Hunnicutt na capa, mostrando um hot rod que ganha vida). “Decidimos que as mulheres eram muito mais bonitas que nós” – explicava Beard – “e que o carro era ainda mais bonito”.

E foi assim que uma pequena banda do Texas alcançou o estrelato. Eliminator tornou-se um clássico, e vimos que era bom.

I Need You Tonight: YouTube Preview Image

Thug: YouTube Preview Image

Gimme All Your Lovin’: YouTube Preview Image

Sharp Dressed Man: YouTube Preview Image

Legs: YouTube Preview Image

“Tres Hombres” do ZZ Top

Tres Hombres marcou a entrada do ZZ Top no clube dos grandes como uma das melhores bandas dos Estados Unidos. Os críticos sempre vão ter dificuldade em dizer qual foi a melhor época do ZZ Top – os anos 70, quando fazia um blues rock absoluto, ou os anos 80 e 90, com seu pulsante blues disco. O que está fora de discussão é que suas raízes texanas eram totalmente inseparáveis do seu som sujo e obsceno.

Tres Hombres é uma mostra do que há de magnífico no grupo – e a inclusão do grande sucesso “La Grande” não é tudo. De fato, “La Grange” – construída em cima de um riff tão simples e, ao mesmo tempo, tão inspirado que não é possível esquecê-lo – é um trabalho atípico da banda, com murmúrios no vocal que eram uma novidade. “Precious And Grace” – a história de duas mulheres que pedem carona e, depois, se revelam ex-presidiárias – mistura um belo riff no estilo Led Zeppelin com um refrão enérgico e quase psicodélico. As duas faixas vêm juntas num encaixe perfeito. “Move Me On Down The Line” é um boogie que parece inspirado em Jack Bruce, em sua fase pós-Cream. “Jesus Just Left Chicago” é outra joia que flui sem esforço. A incrível “Master Of Sparks” fala de uma tradição do texas, a de colocar os amigos na traseira de uma caminhonete, a toda velocidade, por pura diversão.

A capa do álbum diz tudo, embora as fotos de perfil dos três rapazes escondam o fato de que eles tinham apenas pouco mais de 20 anos.

La Grange: YouTube Preview Image

Precious And Grace: YouTube Preview Image

Move Me On Down The Line: YouTube Preview Image

Jesus Just Left Chicago: YouTube Preview Image

Master Of Sparks: YouTube Preview Image

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