Insegurança pública em Campos

Um conhecido meu me enviou este relato, por e-mail, de mais um ato de violência praticado em Campos. A insegurança na cidade é cada dia maior, sob o olhar espectador das autoridades. Por sorte, não aconteceu alguma coisa pior. Aliás, pior mesmo foi a declaração dos policiais se referindo ao número de assaltos.

Ele pediu para se manter em anonimato para preservar a sua família de mais violência. Como foi enviado por uma pessoa que eu conheço, idônea e a quem reputo confiança, decidi publicar o texto, até para, como ele pediu, alertar leitores e autoridades. Leia abaixo o relato:

Olá Cristiano , tudo bem.

Por meio desta, tenho a intenção de informar e ao mesmo tempo aproveitar sua importancia no jornalismo de Campos para que possa divulgar um fato importante.

Ontem por volta das 9 hrs da manhã, eu (acompanhado da minha filha) fomos abordados em meu carro em um semáforo de Campos. Eram dois ladrões, fortemente armados, e que não se inibiram com o trânsito parado para abordar a minha pessoa.

Foram levados pertences pessoais de uso diário, como relógio, corrente, carteira e até mesmo aliança. Porém, sou paulista e isso não me comoveu. Achei apenas um assalto como qualquer outro do qual fui escolhido a dedo.

O que me deixou pasmo, foi ao informar para uma viatura (dois policiais) que eu havia sido roubado a dois minutos. Os mesmos informaram que eu já era o sexto assaltado do dia. E isso ainda era apenas 9 da manhã.

E ao informar as caracteristicas do assaltante, os policiais informaram que esse era novo. Digo, que os assaltos anteriores a esse foram feitos por ladrões de caracteristicas diferentes.

Cristiano, a intenção deste e-mail é que seja passado para a população de Campos que a segurança esta a desejar e que o numero de assaltos deve estar muito alto. Pois fui o sexto assaltado em um dia que estava apenas começando.

Caso seja de sua vontade colocar em nota, peço meu anonimato.

Um abraço

Pague um IPTU e ganhe um rallye

Um dos grandes vetores de crescimento da cidade é o situado ao lado da Avenida do Contorno, que recebeu a instalação de várias concessionárias de veículos, da InterTv Planície, do Boulevard Shopping e de vários condomínios horizontais de bom padrão, além de ter três hotéis que estão em fase de desenvolvimento.

Apesar disto, o investimento público por ali não acompanha este crescimento. O acesso ao Boulevard Shopping é cáotico, apesar de envolver uma (ainda) rodovia federal. O condomínio Nashville já existe há bastante tempo. O seu acesso é por uma rua localizada entre o shopping e o condomínio de prédios Recanto das Palmeiras.

Por este mesmo acesso chega-se ao condomínio horizontal Athenas Park, lançado há alguns anos. Esta rua nunca foi uma maravilha, mas o estado de abandono nos últimos anos chegou ao auge, agravado com as chuvas recentes, como pode ser visto nas fotos abaixo.

É quase um crime trafegar de carro de passeio por ali. Rallye dos Sertões perde. Imagino como os moradores dali, que pagam um alto IPTU, devem sofrer no dia a dia para acessar os serviços que estão na área central da cidade.

Recentemente foi lançado um novo condomínio horizontal naquela região, o Parthenon, que tem acesso pela mesma rua. A infra-estrutura interna nem está pronta ainda e o apetite arrecadador da Prefeitura já cobrou IPTU dos proprietários dos terrenos em 2012. Só se esquece de dar a contra-partida em serviços públicos.

Curiosidade mata

As fotos de Carolina Dieckmann nua foram vistas por 8 milhões de pessoas em apenas cinco dias.

Fonte: Folha.Com

Após denúncia, Prefeitura revê quebra-molas

Depois de ser denunciado aqui, na última segunda-feira, a completa falta de critério e padrão para a instalação de quebra-molas na cidade por parte da Emut, e da grande repercussão do caso, a Prefeitura decidiu fazer uma vistoria nos quebra-molas recém instalados na cidade.

A nota teve uma grande participação dos leitores, com 39 comentários, sendo sua imensa maioria contrários à forma, localização, sinalização e existência dos quebra-molas, descobertos pela Emut como a solução do trânsito na cidade.

Após a denúncia no blog, a Folha da Manhã fez duas matérias sobre o tema. Ontem, a Emut (Empresa Municipal de Transportes) enviou uma equipe técnica para fazer uma completa vistoria nos quebra-molas que já foram instalados. Confira a matéria aqui, na Folha Online.

Os infelizes quebra-molas foram instalados em profusão nos últimos dias, sem qualquer critério. Sua altura é fora do padrão, a sinalização é inadequeda e não avisa com antecedência e os locais não foram corretamente escolhidos. Além disto, há tecnologias menos rudimentares disponíveis para coibir a velocidade no trânsito.

Na nota da última segunda-feira listei alguns pontos com quebra-molas inadequados. Os leitores adicionaram vários outros. Vamos lista-los aqui para ajudar a Emut a corrigir o seu trabalho. Quem souber de mais e puder, favor informar nos comentários.

- Rua Cora de Alvarenga (três)
- Rua Carlos de Lacerda, esquina com Saldanha Marinho
- Rua Salvador Corrêa, esquina com Conselheiro José Fernandes
- Pista interna da Rodoviária Roberto Silveira
- Av. XV de Novembro entre o IML e o Cemitário do Caju (vários)
- Av. Presidente Vargas (prolongamento da XV de Novembro), até o Parque de Exposições (vários)
- Av. Alberto Lamego (entre Uenf e Cepop)
- Rua Conselheiro Otaviano, esquina com Marechal Deodoro
- Rua Dr. Siqueira com Barão de Miracema
- Rua Marechal Deodoro, esquina com Ipiranga
- Av. Sete de Setembro

Rede vergonhaless

Nos corredores dos shoppings cariocas, é normal várias redes sem fio poderem ser detectadas através de telefones e notebooks que tenham tecnologia wireless.

São roteadores instalados pela administração do shopping ou por lojistas, para redes internas próprias, normalmente com acesso bloqueado por senha.

Mas, quem tentar acesso wireless nos corredores do Via Parque Shopping, localizado na Barra da Tijuca, pode ter uma desagradável surpresa, achando uma rede sem fio e sem vergonha.

Técnicos gaiatos e mal educados batizaram duas redes ali com nomes pornográficos, como pode ser visto ao lado. As duas palavras de baixo calão tiveram as suas duas últimas letras achuradas aqui para tentar minimizar o impacto do termo chulo.

O sinal destas duas redes é captado nos corredores da área nova de expansão do Via Parque Shopping, entre as lojas AD, Mercatto e Físico&Forma.

Por ironia ou não, as duas redes são as únicas que estão desprotegidas, sem senha. Qualquer um entra ali. Para os que têm ou pretendem instalar uma rede sem fio em sua casa ou escritório, fica uma dica: confira muito bem com o seu técnico qual será o nome da sua rede, que resultará em como ela será identificada e vista por todos.

Gênios reinventam o quebra-molas

A genialidade da gestão do trânsito em Campos descobriu uma revolucionária ferramenta para disciplinar o tráfego de veículos. Eles ressuscitaram os quebra-molas, que estão se espalhando por vários pontos da cidade. Os que tive o desprazer de ver, estão sem placas de sinalização para redução de velocidade na distância adequada.

Além disto, a altura dos quebra-molas é totalmente inadequada e quase criminosa. Já vi dois na Rua Cora de Alvarenga; um na Rua Carlos de Lacerda, na esquina com Saldanha Marinho; um na Rua Salvador Corrêa, na esquina com Conselheiro José Fernandes; e um monstruoso na pista interna de embarque e desembarque de passageiros do Terminal Rodoviário Roberto Silveira.

Há relatos de outros lugares com quebra-molas recém instalados. Quem souber de mais algum, se puder, informe. Será que é assim que a Prefeitura de Campos pensa que irá cuidar do trânsito? Ou a intenção é lotar as oficinas de veículos para movimentar a economia da cidade e gerar empregos?

Juiz divulga carta sobre sentença polêmica

O juiz Carlos Roberto Loiola entrou em contato e deu a sua versão sobre a polêmica sentença divulgada aqui, na semana passada. O magistrado, que atua em Divinópolis (MG), publicou aqui uma carta no site do Tribunal de Justiça de Minas Gerais.

Confira abaixo a íntegra da extensa carta, na qual o juiz Carlos Roberto Loiola defende o seu estilo pessoal de dar sentenças diferentes, que fogem ao juridiquês:


CARTA DO JUIZ

Fazer Justiça não é fazer Direito.

Vocês da imprensa me perguntam agora, porque algumas sentenças minhas são diferentes. Talvez sejam. Vou pensar. Talvez seja porque agora eu tenho em mim certa segurança de que fazer Justiça é coisa muito diferente do que o simples fazer Direito. Isso talvez seja diferente hoje em dia. Vou meditar. Mas ainda assim não compreendo porque algumas sentenças não podem ser diferentes. Porque eu mesmo não posso ser diferente. Porque eu tenho que ser igual aos outros, usar cartão de crédito, ter celular, fazer parte de uma rede social? Minhas sentenças só possuem valor se forem iguais às dos outros? Só vale chapinha, agora? Eu só tenho valor se usar celular, cartão de crédito e usar essa engenhoca de Facebook? Onde está escrito que tenho que ser igual? Não são vocês mesmos que dizem na televisão a toda hora que “ser diferente é normal”?

Muitos dizem que Justiça é dar a cada um o que é seu. Bacana isso! Já vi muitos doutores dizendo isso, até na TV Justiça. Mas não acho isso correto. Direito é dar a cada um o que é seu. Justiça não é dar a cada um o que é seu. Prá mim, Justiça é muito mais. Se justiça fosse dar a cada um o que é seu, então, ao desgraçado, quando eu fosse fazer Justiça, em minhas sentenças, eu só poderia dar desgraça; ao infeliz, a infelicidade, ao desafortunado, a desfortuna, porque é isso que essa gente tem. Mas não é assim que eu trabalho e penso. Direito é dar a cada um o que é seu. Justiça não. Quem dá a cada um o que é seu faz Direito. Pode ou não fazer Justiça. Cada caso é cada caso. Mas Justiça é muito mais. Justiça é colo de mãe, na mais perfeita definição que já ouvi dela, e isso foi de uma criancinha de 03 anos, pura e ingênua, dentro de minha própria casa. Quem diria? Depois de ler tantas obras jurídicas, dos mais renomados juristas, foi numa criancinha de três anos que encontrei a melhor definição de Justiça. Justiça é colo de mãe! É Justo: mãe não dá a cada um dos filhos o que é seu. Isso não. Mãe se dá por inteiro a todos eles! É assim que é a Justiça, e isso é coisa bem diferente que Direito.

Talvez seja por isso que algumas sentenças minhas sejam diferentes, para vocês. Vou pensar. Talvez porque elas, em algum ponto, se afastem do Direito para fazer Justiça, e, convenhamos, isso está se tornando coisa difícil hoje em dia. Vou refletir mais sobre isso.

Relativamente ao caso que causou alvoroço da imprensa, não sei o porquê, de um simples julgamento de briga de duas mulheres, sobre o caso em si não posso mais falar. E nem quero. Já sentenciei e o destino do caso agora está na Turma Recursal. Já fiz minha parte e acho que bem feita. Se não estiver, os sobrejuízes decerto saberão corrigir, pois é assim que funciona no Estado Democrático de Direito. Mas posso falar acerca do meu estilo, que é o que interessa à imprensa, e porque elaborei aquela sentença, daquela forma. Só estilo pessoal. E digo: quando acabei de elaborar a sentença, tendo como parâmetro tudo o que havia apurado na audiência, na peça de defesa e na informação de que a ré havia pagado somente R$300,00 para se livrar de acusações de três crimes, pensei comigo: esta sentença está correta; fiz Direitinho meu trabalho. Se o Promotor entendeu que R$300,00 era suficiente para punir
criminalmente quem comete três crimes, um até um pouco mais grave, o valor que eu encontrei aqui está correto. Mas foi aí que eu matutei comigo mesmo, pois mineiro é assim, matutando ele entende melhor as coisas: está Direitinho mas não está Justinho. Apaguei tudo que havia escrito. Não era Justo. Era Direito, mas não era Justo. Como poderia ser justo se nos crimes de manutenção de maritaca (na verdade o nome do bichinho é maitaca e não maritaca) em cativeiro o próprio Promotor oferece transação de R$1.800,00 e mais composição civil dos danos ambientais de R$3.000,00 (total R$4.800,00). Liberdade de maritaca vale sozinha mais que três crimes definidos no Código Penal, contra pessoa? Tá errado. Apaguei tudo e fiz o que entendi o que era justo, bem ajustado para o caso. Como poderia estar correta uma sentença que havia analisado tantas teses jurídicas, para um caso tão singelo de briga de mulher. Não era nem racional, senti que estava apenas tentando, de outra forma, explicar física quântica para crianças de três anos.

Apaguei e fiz outra. Esta sim, sem as influências do tecnicismo ajustado ao Direito, mas que no caso concreto, estava muito próxima da Justiça. Do que eu entendo de Justiça. É porque carrego sempre comigo ensinamento de um Mestre dos tempos de escola, livro fininho; só em dez regrinhas ela condensa tudo o que é de Justiça: “Teu dever é lutar pelo Direito, mas no dia em que encontrares o Direito em conflito com a Justiça, luta pela Justiça”. Assim, cada palavrinha, cada expressão da sentença foi lá colocada da maneira mais pertinente, mais ajustadinha possível com o que havia ocorrido na audiência. Para mim, a sentença não poderia ter cara diferente do processo, pois isso não era Justiça, era hipocrisia travestida de Direito. Só isso. Utilizar aquelas expressões que eu estava usando na sentença anterior era pedantismo para com as partes, que nem queriam ouvir nada do Juiz, só queriam sentença. No final das contas, o que ambas queriam era apenas saber quem ganhou e quem perdeu. Só isso. Ninguém estava ali para discutir teses, teses e mais teses; montanhas de injustiças. Então a sentença não poderia ser outra. Foi aquela que foi.

Tenho visto muito Direito nos processos dos Juizados Especiais. Nas contestações, principalmente, quem se der ao trabalho de pesquisar, vai encontrar muito Direito compilado (teclas copiar e colar, do computador). Outro dia apareceu uma, de 60 páginas, 6 teses só de preliminares e mais um tantão delas de mérito: o valor da causa era de R$0,06 (seis centavos de Real). O advogado gastou mais natureza para contestar o pedido do que o próprio valor da causa. É Direito. Não é Justo. Mas quem se importa com valores hoje em dia? Há algum tempo atrás, uma advogada até colocou o dedo em riste dizendo que estava se lixando para as minhas sentenças, porque ela já sabia o que eu pensava sobre o caso que ela estava defendendo. Era um simples processo de cobrança de telessexo em conta de telefone, cujo valor não chegava a R$10,00, mas a advogada, com sua preposta, não queria nem participar da sessão de conciliação, alegava que já sabia mesmo qual seria a sentença, pois já conhecia o meu pensamento sobre tais cobranças e não queria participar da sessão. Não permiti. Está na Lei que ela deveria participar, sob pena de revelia. Ela disse que iria até o Supremo, ainda que o valor da causa fosse R$0,01, mas ela não deixaria de utilizar de todos os instrumentos legais para não permitir a procedência da causa. Só se interessava pelo Direito. A tese dela era a de que, como o Jornal O Estado de Minas favorecia a prostituição abertamente em suas páginas de classificados (e isso é verdade!), inclusive com a anuência do Ministério Público, que havia firmado com o Jornal um Termo de Ajustamento de Conduta (também verdade!), então, só por isso, ela entendia que a empresa de telefonia que ela defendia podia cobrar telessexo livremente, tese com a qual não concordei e já havia sentenciado um bocado de processos. Mas, 40 dias depois dessa audiência, essa mesma advogada entrou chorando no meu gabinete. O seu pai estava num Hospital, internado, e o plano de saúde não autorizava certo procedimento médico. Ela queria agora uma liminar para obrigar o plano de saúde a fornecer o tratamento. Agora só lhe interessava Justiça. ‐ O Senhor, disse ela, não pode nem dar prazo para o plano de saúde se manifestar sobre o pedido de liminar senão o meu pai morre! Agora ela só queria Justiça. Não se importava mais com o Direito, nem com o processo.

Então, não entendo porque tanto alvoroço, porque dizer que algumas de minhas decisões são diferentes. “Ser diferente é normal”.

Fazer Justiça não é fazer Direito. Fazer Justiça é muito mais que isso. Fazer Direito, só pelo Direito, sem se importar com Justiça, isso é mediocridade. Essa regra eu sempre recuso. Fazer Direito com olhos na Justiça, isso é muito bacana, chega a ser genial em alguns casos. Dá muita satisfação profissional ao magistrado sério. Mas fazer Justiça, só com olhos na Justiça, isso tem um toque de Divino. É superior a tudo. Quando o Supremo Tribunal Federal julgou o caso das cotas raciais, ele fez Justiça. Acho. Foi Justiça à unanimidade. Mas para a Folha de São Paulo, o julgamento do STF foi medíocre, parecia “conversa de bar”, comentaram lá naquele jornal. Cada um tem seu conceito do que é Justo. Talvez seja por isso que a jornalista lá de São Paulo, ao publicar recente matéria sobre a minha forma de sentenciar, apenas pinçou uma partezinha de uma sentença que ela entendeu de retirar do contexto e fez lá sua hermenêutica do tititi em sua coluna semanal. Acho. Não li, porque não acompanho Facebook, nem rede social alguma, mas fiquei sabendo agora. Mas ela tem lá também o seu direito constitucionalmente assegurado de livre manifestação do pensamento, como eu acho que também tenho o meu. E se ela só conseguiu retirar aquele pedacinho que dizem que ela retirou, talvez porque seu mundo todo seja aquilo mesmo. Ninguém faz suco de laranja tendo só jabuticaba no inborná, dizia amigo meu, dos tempos de juventude. No espelho, ninguém é mais feio ou mais bonito do que é. Ela havia me telefonado e perguntado se eu não tenho medo de ser diferente, de ficar sozinho. Via‐se, pela pergunta, que ela não sabe nada que a mineiridade se constrói é na solidão, na quietude. Além disso, quem tem colo de mãe não pode se julgar sozinho, porque ela se dá de todo, o tempo todo. E se Justiça é colo de mãe, se eu estou com ela, como poderia me julgar sozinho?

Cada caso é cada caso. É assim que penso e assim que trabalho. No ano passado sentenciei, sem assessor, 3.618 processos. Quantos Juízes podem dizer que julgaram tantos processos assim? Cada um desses 3.618 processos teve lá sua sentença. A maioria delas, com certeza, bastou aplicar regra de Direito, porque a regra do Direito, para esses casos, se amoldava às regras da Justiça. A Justiça tinha a mesma cara do Direito. Alguns deles, a sentença se distanciou um pouco da regra do Direito, porque prevaleceu a regra de Justiça. De vez em quando aparece um caso que só deve receber regra de Justiça, com expressões e contornos da Justiça, com alguma formatação mínima exigida pela regra do Direito, como foi o que causou alvoroço que não entendi. Mas vou pensar mais sobre isso.

Meu direito à livre manifestação do pensamento, contudo, acho que ainda tenho e não é porque alguém possa se sentir incomodado com minha manifestação é que eu vou fazer igualzinho aos outros. Ser diferente é normal.

Não concordo que os processos nos Juizados Especiais, em que tudo deveria ser comandado pelos princípios da oralidade, simplicidade, informalidade, economia processual e celeridade se transformem nesse inferno do Direito em que as peças processuais estão se tornando. Mas quem se importa com princípios? Hoje quase tudo é só tese, tese e mais tese. Injustiça no atacado. Direito pelo avesso. Já diziam os romanos na sabedoria criadora do Direito: summum ius, summa injuria (excesso de Direito, excesso de injustiça). Nos processos envolvendo grandes empresas, não se fala mais uma só palavra sobre fato, nem as partes se preocupam de fazer provas documentais ou sobre fatos. Só teses. A oralidade foi para não sei onde e a informalidade, ah, quando essa é usada pelo Juiz, ah, esse cara é diferente! Isso não é normal! Talvez não seja normal mesmo. Quando atuei em processos de família, vi muitas crianças sendo tratadas como coisas. Diziam os pais em conflito: “Fica com essa coisa aí com você que eu pago a pensão”. Não foram poucas as vezes que tive a infelicidade de ouvir isso em salas de audiências. No próprio caso em questão há expressão do gênero. Mas nos processos envolvendo simples acidentes de veículos, estou vendo a todo dia alegações como esta: ‐ Seu Juiz, esse carro é de estimação, tenho ele há muitos anos, é como se fosse gente da família. Tem dano moral sim, porque o carro é como se fosse gente”. Gente é coisa. Carro é gente. Talvez isso tudo é que seja normal. Vou meditar mais, talvez eu seja mesmo diferente.

De uma coisa eu bem sei, de um ensinamento de um índio chucro e selvagem, não de um jusfilósofo ou jurisconsulto. O que acontecer com a Justiça, isso afetará o homem. O homem só pode existir em uma comunidade se houver Justiça, onde houver colo de mãe.

Mas também vou continuar matutando mais sobre isso.


Carlos Roberto Loiola

Juiz de Direito

Será que ele cabe na lâmpada?

Formosa um nó em pleno sábado. Quem é o gênio que planeja o trânsito em Campos?

Juiz ensina como pular a cerca

Era uma vez um homem e suas duas namoradas, que não se conheciam. Um dia, como quase sempre acontece nestes casos, a casa caiu. Uma descobriu a outra e elas saíram no tapa. A que levou a pior ajuizou uma ação de indenização por danos morais contra a rival pela surra que levou, com direito a puxão de cabelo, soco e unhada.

Levado aos tribunais, o triângulo amoroso causou ainda mais polêmica, com um julgamento inusitado feito pelo juiz Carlos Roberto Loiola, do JECiv de Divinópolis (MG). Ao julgar o caso, o juiz mostrou admiração pelo sujeito disputado, deu lições de como pular a cerca sem ser descoberto e mostrou surpresa com as novas leis de mercado dos namoros.

Veja abaixo alguns trechos da sentença dada pelo juiz Carlos Roberto Loiola, que pode ser vista aqui na íntegra:

“No dia dos fatos ele estava na casa da namorada para filar uma bóia, quando a outra ligou para ele. Ele nem prá dizer que estava numa pescaria com os amigos! Foi logo entregando que estava com a rival. Êta sujeito despreocupado! Também, tão disputado que é pelas duas moças, que nem se lembrou de contar uma mentirinha dessas que a gente sabe que os outros contam nessas horas só prá enganar as namoradas. Talvez porque hoje isso nem mais seja preciso, como era no meu tempo de pescarias. Novas Leis de mercado.”

“Os olhos das duas se encheram de alegria e esfuziante contentamento com a chegada dele na sala. Ninguém queria ouvir o magistrado, que só queria trazer um pouco de paz na vida das moças”.

“Ele se sentiu o rei da cocada, mais desejado que bombom de brigadeiro em festa de criança. Ele disse: -Seu juiz, eu sou solteiro, gosto das duas, tenho um caso com as duas, mas não quero compromisso com nenhuma delas não senhor”.

O juiz fixaria o valor da indenização em R$ 4.000,00. Mas, na audiência, a parte autora (agressora) chamou a ré (agredida) de “esse trem” e, por isso, ele diminuiu a condenação para R$ 3.000,00, considerando que  a autora “também não é santa não, deve ter retrucado as agressões.”

E, para evitar futuros problemas, o magistrado recomendou:

“Quanto tiver na casa de uma e a outra ligar para ele, ao invés de falar a verdade, recomendo que ele diga que está na pescaria com os amigos. Evita briga, litígio, quiproquó e não tem importância nenhuma. Isso não é crime. Pode passar depois lá no “Traíras” e comprar uns lambarizinhos congelados, daqueles de rabinhos vermelhos, e depois no ABC, comprar umas latinhas de Skol e levar para a outra. Ela vai acreditar que ele estava mesmo na pescaria. Trouxe até peixe. Além disso, ainda sobraram algumas latinhas de cerveja da pescaria…E não queira sair de fininho da próxima vez, se tudo der em fuzuê ou muvuca. Isso é feio, muito feio. Fica esperto: da próxima vez que você fizer isso você poderá ser condenado por danos morais.”

Fonte: Migalhas Jurídicas

Atualização às 19h51 de 06/05/2012: O juiz Carlos Roberto Loiola entrou em contato, através dos comentários, e deu a sua versão sobre a polêmica sentença. Confira aqui a íntegra da extensa carta, na qual o juiz Carlos Roberto Loiola defende o seu estilo pessoal de dar sentenças diferentes, que fogem ao juridiquês.

Neve preta

Desde ontem, ao menos por aqui, começou a cair, em grande quantidade, a fuligem proveniente da arcaica e ultrapassada técnica de queimada, usada nas lavouras de cana de açúcar. A fuligem emporcalha as residências de todos nós e aumenta o risco à saúde da população, causando, principalmente, problemas respiratórios.

Atualização às 17h52 de 03/05/2012: Leitores informaram que esta queimada do final de semana ainda não foi da prática ultrapassada usada nas lavouras de cana-de-açúcar. Ela teria sido de um incêndio criminoso feito na área do entorno da Artur Bernardes, que pertence a Usina do Queimado. Aliás, não é a primeira vez que isto acontece por ali.

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