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“Conan – O bárbaro”

Não conheço os contos de Robert E. Howard, os quadrinhos da Marvel Entertainment ou os filmes com Arnold Schwarzenegger — James Earl Jones com aquela peruca lisa me assusta. Analiso “Conan – O bárbaro” (“Conan - The barbarian”), dessa forma, como uma obra cinematográfica, independente de sua condição de adaptação. E, devo dizer, como filme, não deve agradar nem o público ocasional do cinema. Mal escrito, mal dirigido, mal atuado, mal editado e com música mal composta, lembra um episódio ruim de “Xena – A princesa guerreira” (“Xena – Warrior princess”, 1995–2001), contado em um 3D escuro e absolutamente dispensável.

Escrito a seis mãos, sempre um péssimo sinal, por Thomas Dean Donnelly, Joshua Oppenheimer e Sean Hood, o longa-metragem, conduzido por Marcus Nispel, dos remakes “O massacre da serra elétrica” (“The texas chainsaw massacre”, 2003) e “Sexta-Feira 13″ (“Friday the 13th”, 2009), traz sangue e nudez à história já conhecida. Conan (Leo Howard novo e Jason Momoa adulto) perde o pai, Corin (Ron Perlman), pelas mãos de Khalar Zym (Stephen Lang), um conquistador tirano, e cresce em busca de vingança. Nada mais precisa ser dito, porque qualquer outro elemento parece não importar aos realizadores. Tudo que se acrescenta a essa linha de enredo é acessório, seja a máscara mística que o vilão busca, seja a donzela não tão em perigo cujo sangue promete ativar o artefato.

Seguem-se 112 minutos de uma história padrão de retribuição, cujo roteiro escapa pelos atalhos mais batidos e pouco inventivos do cinema recente. As cenas em que Conan se oferece para ser preso e da invasão do castelo são provas inequívocas de que o roteiro é um amarrado preguiçoso que tenta — sem sucesso — justificar as cenas de ação. Na primeira, não há qualquer investimento na busca por Zym, apenas um quebra-quebra e a prisão. Na segunda, após passar pelo único desafio que havia no tão alardeado castelo perigoso de se infiltrar, o bárbaro chega ao topo da construção apenas para ver os vilões já longe no horizonte. Ou seja, o assalto à fortificação está ali apenas para justificar mais uma batalha cheia de computação gráfica mediana.

Ademais, pesam erros repetidos de edição e continuidade. Conan aparece de repente sobre um cavalo; levanta o braço sem espada, mas a arma aparece subitamente em sua mão; o bárbaro fala que mulheres cimerianas usam couro e armadura e manda um amigo dá-los à Tamara (Rachel Nichols), mas na cena seguinte, ela está com a mesma roupa. Em outra, um barco é invadido à noite, com todos dormindo, porém quando a ação começa, está de dia. Tamara vai atrás de Conan, quando ele sai do barco atracado na praia. Eles dão um beijo e logo surgem transando em uma caverna tão longe da costa, que está dentro de uma floresta. Depois, Conan encontra uma das garras da vilã Marique (Rose McGowan), que aparece na cena seguinte com todas as cinco peças. Por fim, o anti-herói segura sua espada perto do guarda mão e, quando a levanta, já a firma pela ponta. Aparentemente, não havia continuista.

O terceiro ato é um arremedo grotesco, com o ápice dos diálogos ruins, como a pérola “Bárbaro, eu não gosto mais de você”, uma máscara mística que, embora prometa transformar seu usuário em um deus, sequer consegue conjurar o espírito de uma bruxa morta, e nada faz para aumentar a força de Zym, vítima de uma morte clichê ao cair de uma ponte, levando consigo sua bizarra espada de duas lâminas paralelas, invenção cuja intenção, aparentemente, era torná-lo cool, mas só consegue ser inverossímil.

Para fechar a lista de erros, estão lá a mais que batida montanha em forma de caveira, que desaba sem justificativas com a morte dos vilões, e a suprema imbecilização do público alvo, que é obrigado a ouvir um “Obrigado por me trazer para casa”, de Tamara a Conan, mesmo depois de se cumprir todos os passos de uma profecia que finalizava justamente prevendo que a mocinha terminaria em casa. Só faltou uma placa no caminho, onde estivesse escrito “Casa de Tamara”.

Para não dizer que tudo é ruim, Momoa tem a aparência certa para o papel, mais coerente com o passado de ladrão e pirata que o inchado Schwarzenegger, e se sai melhor do que a baixíssima expectativa que pesava sobre ele poderia fazer supor, embora não seja fantástico. O visual do filme é bom, e os figurinos, interessantes. A cena envolvendo uma chave e a luta contra as criaturas de areia têm seu mérito. Mas, no fim, nada disso salva o longa do desastre. Merece mais o título de “Lixo extraordinário” que o documentário de Vik Muniz.

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“Capitão América – O primeiro Vingador”

Com a estréia de “Capitão América – O primeiro Vingador” (“Captain America – The first Avenger”, 2011), o Marvel Studios fecha o ciclo iniciado com “Homem de Ferro” (“Iron Man”, 2008). Nesse ínterim, vieram outros três filmes — “O incrível Hulk” (“The incredible Hulk”, 2008), “Homem de Ferro 2” (“Iron Man 2”, 2010) e “Thor” (Idem, 2011) — que completam o prelúdio daquele que é o objetivo de Kevin Feige, presidente do estúdio: “Os Vingadores” (“The Avenger”), longa-metragem que adapta as aventuras do maior grupo de super-heróis da Casa das Idéias, agora livre do ônus de contar as origens de seus componentes.

Dirigido por Joe Johnston, o filme do Sentinela da Liberdade foi o mais polêmico. Não apenas pelo fato do herói sustentar o American Way of Life, em face do que ele representa hoje — o que fez o estúdio dar a cada país exibidor a opção de suprimir o “Capitão América” do título, o que foi feito pela Rússia, Ucrânia e Coréia do Sul. Johnston vinha do remake de “O lobisomem” (“The wolfman”, 2010), produção que assumiu em andamento e gerou muitas críticas quando lançada. Para completar, Chris Evans, um ator conhecido por atuar quase que exclusivamente em comédias, foi escolhido para viver o herói sem passar por qualquer teste.

É bom dizer, portanto, que a Marvel e o diretor conseguiram se esquivar de todos esses buracos. Johnston, que apareceu para o mundo quando atuava como técnico de efeitos da IL&M em filmes como “Os caçadores da arca perdida” (“Raiders of the lost ark”, 1981), recupera o feeling do filme de Steven Spielberg e faz valer o que aprendeu em “Rocketeer” (“The Rocketeer”, 1991), ambos passados, assim como este, durante a Segunda Guerra Mundial, entregando uma boa e divertida aventura. O roteiro de Christopher Markus e Stephen McFeely não transforma o herói em um megafone para o discurso estadunidense atual, representando-o apenas como um homem bom, vindo de uma época menos complicada, e que arranca de Evans a sua melhor perfomance.

A trama segue de perto os quadrinhos. Steve Rogers (Evans) é um magricela asmático que coleciona uma lista de doenças tão grande quanto a ficha criminal de um gângster. Mesmo assim, insiste em se alistar no exército para defender seu país do outro lado do Atlântico. Sua obstinação é maior que sua falta de aptidão física e a frustração gerada pelas seguidas rejeições, o que chama a atenção do cientista alemão Abraham Erskine (Stanley Tucci), o criador de uma fórmula capaz de transformar qualquer homem em um ser humano ideal. Erskine oferece a Rogers a oportunidade de participar da Operação Renascimento, que daria à luz uma nova geração de super-soldados, oportunidade que o rapaz agarra prontamente.

No exército, conhece o coronel Chester Phillips (Tommy Lee Jones), que treina os recrutas para a Operação, a inglesa Peggy Carter (Hayley Atwell), que o auxilia, e o principal fornecedor de tecnologia das Forças Armadas, Howard Stark (Dominic Cooper). Escolhido por Phillips, por influência de Erskine, após mostrar mais inteligência e caráter que seus companheiros, Rogers se submete ao tratamento que o leva ao ápice do desenvolvimento humano. Logo após o processo, entretanto, um traidor alveja o cientista, matando com ele o segredo que poderia colocar fim ao Terceiro Reich. O assassino, contudo, não trabalha para o partido nazista, a Wehrmacht ou a Schutzstaffel, mas para a Hidra.

Divisão de ciências avançadas da máquina de guerra alemã, a Hidra é comandada pelo megalomaníaco Johann Schmidt (Hugo Weaving), o Caveira Vermelha. Movido pelo mesmo fascínio pelas coisas ocultas que exibia o führer e, especialmente, Heinrich Himmler, o infame comandante das SS, Schmidt torna-se um perigo ainda maior para o mundo que o regime nazista ao descobrir o paradeiro do Cubo Cósmico. Artefato de grande poder, que existe no limiar entre magia e tecnologia, o objeto torna possível tirar do papel os projetos de seu comparsa relutante, Arnim Zola (Toby Jones), e construir armas, tanques e bombardeiros capazes de varrer do mapa cidades inteiras em poucos minutos.

E é justamente uma das fábricas da Hidra que Steve, após deixar para trás seu medíocre papel de garoto propaganda do exército e resolver fazer valer a aposta de Erskine, tem de invadir para salvar James Buchanan “Bucky” Barnes (Sebastian Stan), seu capturado amigo de infância, que outrora vivia a salvá-lo de encrencas. Lá, o agora Capitão América liberta, também, os membros do Comando Selvagem, que passam a ajudá-lo. Suas atitudes, todavia, o colocam em rota de colisão com o Caveira, e não demora para que o super-soldado e o über nazista se enfrentem.

Evans surpreende tanto como o garoto frágil, quanto como a lenda estadunidense. Embora não seja brilhante, tem postura e confiança. Tucci encarna um Erskine que ganha mais atenção e humanidade que em qualquer quadrinho. Tommy Lee Jones tem presença e é privilegiado pelo roteiro com boas gags. Atwell oscila entre o dever e o ciúme com desenvoltura e Stan compõe um Bucky diferente do original, mas eficiente. Cooper se diverte na pele do pai de Tony Stark, representado-o como uma espécie de Howard Hughes ainda mais extraordinário. Tobey Jones parece um rato assustado e coagido, enquanto Weaving sofre com um personagem que concentra ótimos e péssimos aspectos, acaba, no fim, como o elo fraco do roteiro.

Há dois grandes acertos no longa-metragem. O primeiro, digno de aplausos, é o diálogo que os roteiristas estabelecem entre os motivos por trás da criação do personagem por Jack Kirby e Joe Simon, em 1941, na então Timely Comics, e a evolução do Capitão América na película. Pensado para enaltecer a participação estadunidense na Segunda Guerra Mundial, alimentando de esperanças o imaginário de crianças e adultos com as histórias de um super-soldado que não falha, o personagem se vê, no começo de sua carreira, no papel de garoto propaganda do exército e animador de tropas, a vender Bônus de Guerra, ao ser rejeitado pelo Coronel Phillips. Assim, tanto na vida real quanto na realidade fílmica, o personagem vem a público com a mesma missão: motivar e exortar seus conterrâneos.

O segundo, é a total reformulação da origem do vilão. Nos quadrinhos, Schmidt é o ex-funcionário de um hotel, que passa a ser tutorado por Hitler, ávido por provar ser capaz de transformar mesmo um reles carregador de malas no nacional-socialista perfeito. Deformado por um acidente com o Pó da Caveira, químico que utiliza como arma, tem sua consciência transferida para um corpo clonado de Rogers. No filme, tudo é resolvido de forma simples. Schmidt é um cientista obcecado. Obriga Erskine a desenvolver a fórmula de super-soldado, que aplica em si mesmo. Como não estava finalizado, porém, o soro deforma-o, afastando-o do ideal ariano e provocando a rejeição dos nazistas.

Há, todavia, dois erros da mesma magnitude, a começar pela covardia que o Marvel Studios vem demonstrando ao lidar com temas espinhosos. Primeiro, trocam a bebida de Tony Stark por Paládio, no segundo filme do Homem de Ferro. Agora, suprimem os nazistas, deixando apenas seu mais elementar rastro ao substituí-los pela Hidra, que, como para dizer “somos maus mas nem tanto”, se volta contra o Reich. O Caveira seria conceitualmente mais interessante como membro da Ahnenerb, grupo real da SS composto justamente por cientistas preocupados com a “herança ancestral” ariana, e que incluía entre suas atividades pesquisas arqueológicas — incluisive por relíquias sagradas e objetos místicos — pudessem provar sua superioridade racial.

Além disso, ao opor a Hidra ao partido nacional socialista, a fim de evitar polêmica, acaba contrariando não só sua origem nos quadrinhos, como propicia a constrangedora cena em que, em uma tentativa de perversão do padrão nazista, seus membros erguem vergonhosamente os dois braços em saudação ao seu líder enquanto gritam “Heil, Hidra”. Não bastasse, a tecnologia da organização terrorista, com carros e armas fantásticas, lembra péssimos conceitos de “A liga extraordinária” (“The league of extraordinary gentlemen”, 2003). Inclusive, a cena inicial, em que um grande tanque arromba uma parede, faz recordar o tenebroso filme de Stephen Norrington. Uma abordagem mais pulp e steampunk e menos futurista do equipamento seria mais interessante.

O filme segue se equilibrando sobre acertos e erros de igual estatura. Os efeitos vão do suficiente ao excelente, quando Rogers é apenas um rapaz frágil. Já o chroma key e as cenas de ação, por vezes deixam a desejar. A trilha sonora de Alan Silvestri carece de carisma. Entretanto, o humor e o romance surgem mais orgânicos e melhor trabalhados que em “Thor”. Tudo acontece a seu tempo e sem exageros, seja a atração de Steve e Peggy, consumada apenas no terço final da projeção com um único beijo, sejam as tiradas certeira do coronel Phillips. Aliás, o elenco coadjuvante e o melhor dos filmes da Marvel. O Caveira Vermelha, contudo, é tratado de forma caricata, ouvindo ópera, um clichê nazista, posando para um auto-retrato e escrevendo o nome das cidades alvo nas bombas que pretende usar para dominar o mundo.

Por fim, há a já tradicional caça de referências ao Universo Marvel, que vão da presença de um herói clássico da editora, uma brincadeira com a forma original de Zola nos quadrinhos e os bem utilizados elementos da versão Ultimate do Capitão América.

Assim, “Capitão América – O primeiro Vingador” firma-se como um filme ação interessante, especialmente em face de outras adaptações de quadrinhos, que peca mais pelo conteúdo que pela forma. Como a qualificação em cinco pontos não permite grande precisão, atribuo nota 3, a mesma de “Thor”, embora Johnston tenha se saído melhor que Branagh.

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“X-Men – Primeira classe”

O trauma causado nos fãs dos heróis da Marvel Entertainment e de quadrinhos em geral pelo ruim “X-Men 3 – O confronto final” (“X-Men 3 – The last stand”, 2006) e o tenebroso “X-Men origens – Wolverine” (“X-Men origins – Wolverine”, 2009) não intimidou a 20th Century Fox, que, em uma demonstração de persistência, anunciou logo em seguida “X-Men – Prime classe” (“X-Men – First class”, 2011). Já próximo do lançamento, o que começou como o aparente prenuncio do sepultamento da franquia mutante, depois de uma série de embaraços da equipe de marketing com as primeiras fotos e pôsteres do filme, tomou ares de redenção quando resenhas começaram a aparecer nos sites norte-americanos atribuindo notas altíssimas ao trabalho, dirigido por Matthew Vaughn, do supervalorizado “Kick-ass – Quebrando tudo” (“Kick-ass”, 2010). Como alerta o dito popular, nem tanto ao mar, nem tanto à terra.

O roteiro — escrito a oito mãos por Ashley Miller, Zack Stentz, Jane Goldman e o próprio Vaughn — é simples e mostra como o geneticista telepata Charles Xavier (James McAvoy) conheceu o amargurado Erik Lensherr (Michael Fassbender), judeu alemão sobrevivente dos campos de concentração nazista, onde perdeu seus pais e vivenciou o traumático despertar de seus poderes magnéticos. A trama revela como ambos, por motivos distintos, fundam os X-Men, nos anos 60, ao recrutar jovens mutantes para combater a ameaça de Sebastian Shaw (Kevin Bacon) e seus asseclas do Clube do Inferno.

O texto é certeiro ao trazer de volta o subtexto e o debate político-social, presentes em “X-Men – O filme” (“X-Men”, 2000) e “X-Men 2”  (“X-Men 2 – X-Men united”, 2003), de Bryan Singer, que atua aqui como produtor e mentor intelectual do projeto, e trabalhar de maneira orgânica com a nossa própria história, ao envolver os mutantes no episódio que ficou conhecido como a Crise dos Mísseis de Cuba. Dosa bem ação e drama, embora mais que ocasionalmente se mostre corrido. Seu principal mérito, entretanto, está no desenvolvimento de Charles, que passa de um intelectual com ares de bon vivant a um legítimo professor engajado em uma causa, e Erik, de certo o melhor personagem do filme, cujo desejo de vingança tona-o uma espécie de “Mossad de um homem só” e leva-o a cruzar o mundo caçando criminosos de guerra nazistas. Falam alto aqui, também, os talentosíssimos McAvoy e Fassbender, que fazem seus personagens ainda mais humanos e críveis.

O trabalho de recriação de época e design figurinos são muito competentes, evocando o clima sessentista necessário. Notável e digna de menção, da mesma forma, é a opção por respeitar a língua nativa de cada país visitado pelos personagens e não colocar o inglês nas bocas de russos, alemães, argentinos e suíços.

Problemas há, entretanto. E o primeiro deles repousa na decisão equivocada de relacionar Magneto e Shaw. Mais do que cruzar seus passados, o roteiro transforma o líder do Clube do Inferno em um proto-Magneto, ao emprestar-lhe não somente objetivos idênticos, como equipá-lo mesmo com o característico elmo do futuro terrorista mutante. Acaba, com isso, em retrospecto, transformando a luta de Lensherr na simples continuidade da luta de Shaw, além de descredibilizar sua ira ao tornar suas mazelas responsabilidade de outro mutante e não de humanos, o que tira grande parte do brilho e da eloqüência do personagem.

Além disso, a escolha mais cuidadosa dos coadjuvantes teria evitado personagens sem carisma e erros de continuidade. Destrutor (Lucas Till), originalmente irmão mais novo de Ciclope e aqui sabe-se lá o que, pouco faz além de se mostrar temperamental. Fera (Nicholas Hoult), que aparece em sua forma humana em uma ponta em “X-Men 2”, já mostra sua aparência monstruosa, presente apenas em “X-Men 3 – O confronto final”. E embora seu lado cientista seja bem explorado, fisicamente, fica à sombra de sua encarnação anterior.

Azazel (Jason Flemyng), por sua vez, não consegue uma cena impactante como abertura do segundo capítulo da franquia, protagonizada por Noturno, seu filho nas HQs. Darwin (Edi Gathegi) serve apenas para exibir a maldade de Shaw, enquanto Angel Salvadore (Zoë Kravitz) está ali somente para antagonizar Banshee (Caleb Landry Jones) nas lutas aéreas. Maré Selvagem (Álex González) sequer fala e Emma Frost (January Jones), que já havia dado as caras em “X-Men origens – Wolverine” com abordagem distinta, não faz jus à sua contraparte de celulose. Já Mística (Jennifer Lawrence) e Moira McTarget (Rose Byrne) deveriam ter exibido nos filmes anteriores idades compatíveis às de Charles e Erik — que, aliás, dada a forma como se encerra o filme, jamais poderiam ter abordado Jean Grey juntos, o primeiro, inclusive, andando, como mostrado no último filme da primeira trilogia.

Isso sem nos esquecermos dos efeitos hora capengas e de erros bobos, que poderiam ter sido facilmente evitados com um pouco mais de atenção aos detalhes. Como Shaw ganha seu elmo capaz de bloquear poderes telepáticos “dos russos”, que, como o resto do mundo, ainda desconheciam os mutantes? Provavelmente foi uma tentativa, fracassada, de traçar uma referência interessante às experiências com paranormalidade desenvolvida pelos governos estadunidense e soviético durante a Guerra Fria. E como poderia a CIA ser convencida tão rapidamente a abrir suas portas e colaborar legitimamente com os mutantes?

Por fim, e mais importante. Embora destoe sensivelmente de seus antecessores no quesito qualidade, Sam Raimi mostrou em “Homem-Aranha 3” (“Spider-Man 3”, 2007) como tratar o arco de um vilão com paciência e esmero, ao só então transformar Harry Osborn no novo Duende Verde, depois de dois filmes de preparação. Na segunda tríade de filmes da saga “Star wars” (Idem, 1999-2005), todos já conheciam o destino de Anakin Skywalker, de forma que não era o que aconteceria que atraía os espectadores, mas como a promessa Jedi se tornaria o maior vilão do cinema. Como a Fox anunciou a intenção de realizar uma nova trilogia a partir de “X-Men – Primeira classe”, perdeu a chance de fazer o mesmo por Magneto, um personagem com potencial dramático e icônico quase tão grandes quanto os do próprio Darth Vader.

Nada disso, porém, conseguem transformar “X-Men – Primeira classe” em um filme ruim. O longa é bem dosado, refrigera a franquia e prepara terreno para novas empreitadas dos mutantes no cinema. Apenas não é tão memorável quanto poderia ter sido.

Ps.: Espere por uma divertidíssima participação de um mutante mais que conhecido.

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“Thor”

Mais nova empreitada da Marvel Studios, divisão cinematográfica da Marvel Entertainment, “Thor” (Idem, 2011) assenta uma das últimas pedras na longa estrada que levará ao maior evento das adaptações de quadrinhos para as telonas: “Os Vingadores” (“The Avengers”), que atualmente está sendo filmado e deverá ser lançado em 2012. O quebra-cabeças — que começou com “Homem de Ferro” (“Iron Man”, 2008) e agregou “O incrível Hulk” (“The incredible Hulk”, 2008) e “Homem de Ferro 2” (“Iron Man 2”, 2010) — recebe sua última peça ainda esse ano, com a estréia de “Capitão América – O primeiro vingador” (“Captain America – The first avenger”) em 22 de julho nos Estados Unidos. Mas, é a aventura do deus-herói que revela elementos e personagens que prometem fazer do filme da maior equipe da Casa das Idéias algo épico, na real acepção da palavra. Estabelecendo uma cosmologia para o universo Marvel no cinema, o filme, aposta, dessa vez, em terreno inexplorado. Deixando a ciência pseudo-realista que marcou seus antecessores de lado, se aventura pela fábula, pela mitologia e pela magia.

Na trama, os asgardianos são um povo avançado e poderoso, cujo rei, Odin (Anthony Hopkins), jurou defender os Nove Mundos: Alfheim, lar dos elfos da luz, Svartalfheim, plano dos elfos negros, Jotunheim, reino dos gigantes, Hel, casa dos mortos, Muspelheim, morada dos demônios, Nidavellir, habitado pelos anões, Vanaheim, no qual vivem os vanir, a própria Asgard e Midgard, a Terra, onde em tempos remotos foram confundidos com deuses pelos vikings. O Pai de Todos, entretanto, já reinou durante muitas eras e pretende abdicar em favor de seu filho mais velho, Thor (Chris Hemsworth). Aquela que prometia ser sua festa de coroação, contudo, se transforma em motivo de discórdia quando um grupo de gigantes do gelo invade Asgard em busca da Caixa do Inverno Eterno. Orgulhoso e impulsivo, o senhor do trovão desobedece às ordens do pai e inicia um incidente diplomático com Laufey (Colm Feore), rei dos gigantes, que pode acabar em guerra.

Enfurecido pela desobediência do filho e decepcionado com sua arrogância, Odin decide que Thor ainda não está pronto para reinar e, ao privá-lo de seus poderes e bani-lo da morada dos deuses, lança-o em sua mais dolorosa provação. Perdido em Midgard, um mundo de costumes diferentes, longe de seu poderoso martelo, o Mjolnir, e reduzido a pouco mais que um humano, ainda que extraordinário, Thor deverá entender que virtudes fazem de um rei um líder sábio e se preparar para enfrentar um desafio divino, seu irmão Loki (Tom Hiddleston), o patrono da trapaça. Para tanto, contará com aliados deste e daquele mundo: o professor Selvig (Stellan Skarsgård), a cientista em início de carreira Jane Foster (Natalie Portman), sua amiga Darcy (Kat Dennings) e os três guerreiros asgardianos Fandral (Ray Stevenson), Volstagg (Ray Stevenson) e Hogun (Tadanobu Asano), além do guardião da ponte Bifrost Heimdall (Idris Elba) e a guerreira Sif (Jaimie Alexander).

Dirigido com segurança por Kenneth Brannagh a partir do roteiro de Ashley Miller, Zack Stentz e Don Payne, “Thor” leva para as telas elementos de diversas fases do personagem, criado por Stan Lee, Larry Lieber e Jack Kirby em 1962. Porém, nota-se influências especialmente marcantes das passagens de Walt Simonson, como o desenho imponente de Asgard e o misto de magia e tecnologia que a move, representados com competência, e de J. Michael Straczynski, como o design do uniforme, criado a partir dos desenhos de Oliver Coipel, e a revelação a respeito da verdadeira natureza de Loki.

Os figurinos, embora asseados demais para um filme que se baseia em cultura viking, são adequados à proposta e consonantes com todo o design de produção. Os efeitos especiais são, em sua maior parte, de grande qualidade. As interpretações são homogeneamente boas, com poucas exceções — e Portman e Skarsgård fazem o que pode com a pouca importância que o roteiro dispensa aos seus personagens, basicamente, coadjuvantes de luxo. Mas, certamente, são Hopkins e Hidleston que comandam o show. Ambos protagonizam a cena de maior tensão emocional, manobrada com vigor por Brannagh, dono de vasta experiência com textos shakesperianos. De fato, Loki se estabelece como o melhor vilão já mostrado em um filme da Marvel.

Além disso, os caçadores de referências encontrarão diversas citações às histórias do personagem nos quadrinhos e homenagens à sua trajetória de quase cinco décadas. Duas delas deverão ser reconhecidas prontamente: “Journey into Mystery”, nome da revista onde estreou, aparece em um outdoor, e seu alter-ego na celulose, Donald Blake, é citado. Outro elemento interessante, oriundo da versão revisada e um pouco mais realista do personagem criada para o Universo Ultimate, é o fato de Thor ser visto como um louco. Sem poderes que justifiquem sua natureza “divina”, acaba tomado por um sem teto delirante, reação perfeitamente natural a alguém que se diz um deus. Por fim, “Thor” apresenta aquela que é, provavelmente, a mais instigante cena pós-créditos, estabelecendo ligações com o vindouro “Capitão América – O primeiro vingador” e plantando as bases para “Os Vingadores”.

Sofre especialmente no filme, todavia, a S.H.I.E.L.D. e Clint Barton, o Gavião Arqueiro (Jeremy Renner), personagem da equipe da Casa das Idéias que faz sua estréia no cinema em uma ponta, em que é apresentado como membro da organização, também à semelhança de sua versão no Universo Ultimate. A primeira, porque tem sua base facilmente invadida e aparentemente um de seus principais agentes passado para trás sem qualquer esforço, o que contraria seu papel de agência governamental altamente eficiente, formada por indivíduos super-treinados. O segundo, porque protagoniza a participação mais descartável e frustrante até o momento ao não fazer nada além de se pendurar em um guindaste. Felizmente, ao quase pegar uma submetralhadora, mostra que trará outras características de sua contraparte mais realista, o que, no caso do personagem, é deveras empolgante.

Não obstante, esse, assim como o humor por vezes gratuito e o ritmo ora acelerado, são problemas menores, que não tiram todo o mérito de “Thor”, um filme que faz pelo universo cinematográfico da Marvel quase tanto quanto “Homem de Ferro” ao estabelecer suas fundações.

 

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“Duna”

Não li o livro homônimo de Frank Herbert, de forma que analiso o filme “Duna” (“Dune”, 1984), de David Lynch, apenas com base no que passa em tela. Ficção científica com toques de fantasia medieval, uma mistura que se insinua, também, na saga “Guerra nas estrelas (“Star wars” 1977-2005), com seus espadachins dotados de poderes místicos, os Jedi, o longa-metragem parece, logo de início, pequeno demais para comportar a obra literária, embora tenha cerca de três horas de duração. Isso fica evidente no longo prólogo, que tenta, sem muito sucesso dada a profusão de detalhes, situar o neófito no vasto mundo concebido por Herbert. Entretanto, passada a confusão inicial causada pelos inúmeros nomes e fatos, dados assentados pela repetição, a trama, dominada por exóticos aspectos políticos, sociais, geográficos e, claro, científicos, prende.

Cerne da sociedade futurista de contornos feudais de “Duna”, a substância conhecida como Especiaria abastece não apenas veículos e alimenta máquinas como é capaz de estender a vida de quem a consome e abastecer os poderes mentais membros da poderosa Corporação Espacial e das místicas da irmandade Bene Gesserit. Encontrada apenas no desértico e extremamente perigoso planeta Arrakis, cujo apelido empresta nome à saga, a especiaria é motivo de disputa entre duas dinastias ancestrais: os Atreides e os Harkonenn. Quando o Imperador Shaddam IV (José Ferrer), da dinastia Corino, temendo o carisma do mais jovem Atreídes, Paul (Kyle MacLachlan), herdeiro do Duque Leto (Jürgen Prochnow), decide destruir a família, se vale da ancestral inimizade com os Harkonenn. E colocá-los em rota de colisão se revela fácil. Shaddam apenas rescinde a autoridade do Barão Vladimir Harkonnen (Kenneth McMillan) sobre Arrakis e entrega o controle do planeta a Leto. A ganância do líder Harkonnen providencia uma violenta ofensiva.

A manobra não só visa terceirizar o seviço sujo, mas, principalmente, conseguir sucesso enquando evita que as demais dinastias se voltem contra ele por atacar um dos mais influentes componentes da Assembléia Landsraad, órgão que regula a atuação do Imperador. Porém, o que ninguém contava é que Paul, filho de Lady Jessica (Francesca Annis), uma Bene Gesserit que abandonou a ordem por amor a Leto, pode ser o escolhido previsto em uma antiga profecia. Sua provação acontece após a queda de sua casa, quando se torna apenas Muad’Dib e cresce enquanto líder e guerreiro junto aos Fremen, os enigmáticos homens de Duna. Porém, sua existência não apenas amedronta o Imperador, como desafia os planos das antigas companheiras de sua mãe.

O resumo grosseiro, embora extenso, da trama é mais um indício de sua complexidade original. Outros, são o caráter episódico da narrativa, que não parece administrar com competência a passagem do tempo; e a aparente inutilidade de alguns personagens na tela, algo que especialmente evidente com Feyd-Rautha Harkonnen, vivido pelo canto Sting, do The Police, que apenas ri insanamente e protagoniza uma luta pouco empolgante no fim do filme. As atuações são homogeneamente medianas e, por vezes, algo caricatas, como no caso de McMillan e Paul Smith, que vive Glossu Rabban Harkonnen, irmão de Feyd e sobrinho do Barão Vladimir. Por fim, grande parte dos efeitos especiais envelheceu mal e o chroma key é evidente.

Todavia, o que tornou “Duna” um clássico foi o texto de Herbert, que, mesmo que tenha perdido parte de sua força, ainda mantêm qualidades o suficiente para fazer com que se releve quase todos esses problemas. Com certeza o filme é uma boa introdução a esse universo que parece grandioso e merecedor de leitura.

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“G.I. Joe – A origem de Cobra”

Cresci rodeado de action figures, revistas em quadrinhos, livros de RPG, jogos de vídeo game e todas aquelas coisas que fazem a felicidade de alguém apaixonado por cultura pop, de modo que, é natural, dou mais atenção às adaptações oriundas dessas fontes que a maioria dos críticos. Entretanto, embora quase sempre agucem minha curiosidade, raríssimas vezes essas transposições satisfazem meu lado cinéfilo, assim como provavelmente o de qualquer pessoa com um mínimo de bom gosto. Com “G.I. Joe – A origem de Cobra” (“G.I. Joe – Rise of Cobra”, 2009), não foi diferente. Na verdade, o longa-metragem de Stephen Sommers, do péssimo “A múmia” (“The mummy”, 1999) e do ainda mais horrendo “Van Helsing – O caçador de monstros” (“Van Helsing”, 2004), compara-se aos piores exemplares do gênero, com seu roteiro pouco imaginativo, interpretações homogeneamente quilômetros abaixo da média, composições de personagens canhestras, falas pessimamente construídas, tiradas pretensamente cômicas sem qualquer timing, efeitos especiais vergonhosos e cenas de ação pedestres — e aqui, pode-se dizer que é literalmente, pois este é o primeiro filme em que vejo uma cena de perseguição onde personagens correm a pé atrás de carros (e não, não esqueci do T-1000; é muito diferente).

O prólogo, passado em 1641, mostra como o traidor James McCullen IX (David Murray) foi dolorosamente castigado pelo rei da França, por vender armas aos dois lados do conflito que travava com a Inglaterra. Ali é revelada a sina da família escocesa: suprir com aço e fogo toda nação que tenha um inimigo. Em outro tempo, um futuro próximo, James McCullen XXIV (Christopher Eccleston), CEO das indústrias M.A.R.S. — uma referência terrivelmente óbvia ao deus grego da guerra, Marte —, segue de perto os passos de seus antepassados, tendo transformado seu complexo no principal fornecedor de equipamento militar de ponta de todo o mundo. Seu mais novo invento, desenvolvido com o financiamento da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN), são quatro ogivas capazes de criar uma nuvem de nanorobôs que devoram, destroem e corroem todo o metal que encontram pela frente. A fim de colher louros e lucros sem pagar o preço, McCullen incumbe o grupo terrorista Cobra de reaver as ogivas, simulando um ataque que não levantasse suspeitas sobre si. A partir daí, a trama segue de maneira previsível, com reviravoltas que se enxerga de longe e todos os clichês da ação.

Cheio de personagens rasos, o filme sofre, ainda, com a escolha do elenco, que desfila uma falta de talento tão flagrante que os impede mesmo de fazer o arroz com feijão de um filme do gênero de forma convincente. As performances de Channing Tatum, o Duke, e Marlon Wayans, que encarna Ripcord, são especialmente constrangedoras. O primeiro, tenta passar uma dureza que jamais tem credibilidade e o segundo — além de protagonizar, ao lado Rachel Nichols, intérprete de Scarlett, o romance mais gratuito e cliché do cinema recente — é apenas Marlon Wayans, disparando piadinhas das quais talvez o americanos achem graça. O único que acerta é Ray Park, que aceitou o papel de Snake Eyes, um personagem que sequer fala, deixando o espaço todo para sua habilidade marcial.

Os vilões não se saem muito melhor. Eccleston, que se destacou em “Extermínio” (“28 days later”, 2002), atua aqui de forma extremamente burocrática. Já O Doutor (e não coloco o nome do ator que o interpreta, pois seria spoiler) é uma caricatura: os movimentos mais simples, como digitar algo em um computador de mão, são superlativos, e suas frases vêm impregnadas de uma maldade tão artificial e expositiva que é digna dos livros infantis mais didáticos. Além disso, o designer de produção não escondeu sua intenção de tentar recriar Darth Vader.

Não bastasse, o roteiro escrito a seis mãos por Stuart Beattie, David Elliot e Paul Lovett é tão cheio de furos que parece um queijo suíço. Seu descompromisso com a razão e a plausibilidade excede os fatos fantásticos e parecem apontar a “elite militar” apresentada no filme como míope ou, pior, simplesmente burra. O caso mais gritante é quando os vilões invadem a base dos heróis, os submetem e escolhem ir embora e deixar a liderança inimiga desacordada, em vez de morta. E aqui eu repito uma coisa que sempre digo: um enredo com elementos fantásticos não deve ser inverossímil. As duas coisas não têm absolutamente nenhuma relação. Outra opção desastrosa é descartar uma revelação importante em uma situação que é completamente anticlimática. O surgimento dos grandes vilões do filme, na forma como são conhecidos dos fãs, se dá em um tom de triunfo que não acompanha a cena, onde a câmara se afasta para revelá-los… presos! De fato, sequer o equipamento que exibem no momento é adequado à condição de prisioneiros.

Por fim, os efeitos especiais, que deveriam ser o carro chefe desse tipo de produção, são extremamente irregulares, ora terríveis, quando muito, adequados. Com exceção de carros e jipes, qualquer veículo que se mova é criado, de forma precária, por computação gráfica. Uma inabilidade que se reflete, também, nos figurinos, que, padronizados, afastam os personagens das action figures, conhecidas por sua variedade visual.

Isto posto, podemos constatar que está é mais uma “obra” com o verdadeiro pedigree Sommers. Passe longe, especialmente se quiser preservar suas memórias de infância.

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“Extermínio”

Em crítica a “Extermínio” (“28 days later”, 2002), Pablo Villaça afirmou que “poucas coisas são tão assustadoras quanto a imagem de uma grande cidade completamente abandonada”. Concordo. De fato, o vislumbre de uma Londres vazia, em um estado de caos estático, repleto de vestígios pouco sutis da barbárie sob a qual ruiu, é ainda mais amedrontador que os mortos-vivos corredores a que o cineasta Danny Boyle dá vida nessa sua primeira investida no gênero terror. Diretor de filmes tão díspares quanto “Trainspotting – Sem limites” (“Trainspotting”, 1996) e o recente “Quem quer ser um milionário?” (“Slumdog millionaire”, 2008), o inglês pisa na vereda de George Romero trazendo, se não revolução, uma visão minuciosa, que atenta não apenas para conseqüências físicas, mas morais e intelectuais, o que reforça seu subtexto social e político, comumente encerrado em produções semelhantes.

E é justamente ao optar por exibir, antes dos olhos injetados de um vermelho sanguíneo, a extensão e a inevitabilidade da destruição causada pela hecatombe viral que assola, na película, a capital inglesa, dando origem aos autômatos canibais — algo que tem seu ápice em um angustiante quadro improvisado de “procura-se”, instalado em uma praça pública e repleto de nomes e fotos que se sobrepõe umas às outras —, Boyle faz com que o expectador compartilhe do medo do confronto e do pavor gerado pelos ataques repentinos, o que é fundamental para o sucesso de “Extermínio”.

Com esse mesmo esmero em relação a atmosfera e coerência, o cineasta desenvolve trama e seus protagonistas. O prólogo, em que um grupo de ecologistas radicais invade uma instalação que pesquisa primatas já mostra a que veio. O enredo, porém, começa a se desenvolver, de fato, com o despertar de Jim (Cillian Murphy), nu, em um hospital revirado e vazio de gente. Da mesma forma está sua Londres natal, pela qual peregrina até descobrir a verdade ao entrar em uma pequena igreja, onde é atacado por infectados. Salvo por Selena (Naomie Harris) e Mark (Noah Huntley), Jim deve se adaptar à idéia de que a civilização como conhecia não existe mais. Ao menos nas ilhas britânicas. A luta para sobreviver e a busca por outros focos de resistência dão parcimônia e conteúdo ao filme, que aposta não em sustos contínuos, mas em ataques pontuais e brutais e ótimos diálogos, escritos pelo roteirista Alex Garland, para retratarem a exata dimensão da situação.

Além da excelente atuação de Murphy e Harris e ótimo desempenho dos atores que orbitam em seu entorno, concorre para a manutenção da tensão e do sentimento de urgência a forma com que personagens bem trabalhados pelo roteiro são descartados sem remorso em prol do crescendo emocional do roteiro, algo que traz enorme temor em relação ao destino dos personagens principais. O filme derrapa apenas em seu ato final, quando Jim, movido pela raiva, demonstra habilidades que não condizem com seu desenvolvimento até ali, como quando acerta com um tiro uma corrente distante.

Com um orçamento de apenas U$ 15 milhões, “Extermínio” apresenta um competente trabalho de maquiagem. Mas o que chama a atenção é ótima cenografia, a fotografia de Anthony Dod Mantle e o eficiente uso da câmera na mão, que confere ritmo ágil à narrativa. Tudo isso, porém, é instrumental no estudo psicológico de personagens em um mundo sem regras e sem leis, algo que o diretor e o roteirista já haviam abordado no mediano “A praia” (“The beach”, 2000). Com certeza, se saíram melhor aqui.

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“A múmia”

Um dia desses, uma antiguidade parou em minhas mãos quase que por acaso. Atraído pela faixa que prometia três DVDs originais por R$ 15, pendurada em frente a uma locadora certamente prestes a fechar as portas, meu cunhado entrou, vasculhou e saiu com dois filmes que o lembravam de sua adolescência e um terceiro título de terror, escolhido pelo nome. O trabalho em questão era “A múmia” (“The mummy”, 1932), lançado pela Universal na coleção “House of original monsters”, e foi parar na pilha por causa do remake dirigido por Stephen Sommers em 1999, bem mais conhecido. Como “velharia” não agrada a todos, acabou em minhas mãos. Depois de assistir, me impressionou a forma com que as quase sete décadas que separam o original de sua refilmagem podem tornar a ambos algo tão distinto em competência e qualidade. E se engana quem acredita que a versão moderna leva vantagem.

Surgido na esteira do sucesso de “Drácula” (“Dracula”, 1931) e “Frankenstein” (Idem, 1931), dois outros grandes clássicos da Universal Pictures, que então começava a apostar no gênero terror e vasculhava a literatura atrás de boas histórias, “A múmia” guarda fortes conexões com ambos os antecessores. Com o primeiro, é a trama, que gira em torno da busca de uma criatura imortal por seu amor de outra época. Já com o segundo, é seu protagonista, o ator britânico Boris Karloff, que se tornou famoso justamente por viver o monstro criado por Victor Frankenstein. Dessa forma, não causou surpresa quando o estúdio decidiu trazer de volta a lenda egípcia, após os bem sucedidos “Drácula de Bram Stoker” (“Bram Stoker’s Dracula”, 1992), de Francis Ford Coppola, e “Frankenstein de Mary Shelley” (“Mary Shelley’s Frankenstein”, 1994), de Kenneth Branagh — que não são da Universal, mas devem ter-lhe despertado a atenção para o novo potencial do filão.

Porém, quando comparado ao remake, um besteirol pirotécnico conduzido pelo péssimo Sommers, a versão original de “A múmia”, dirigida por Karl Freund, surge como uma obra consideravelmente mais consistente e interessante, além de melhor conduzida e desenvolvida, a despeito de quaisquer limitações técnicas que o cinema pudesse ter à época. Não bastasse, observar a performance de Karloff torna a escalação de Arnold Vosloo para o papel de Imhotep um engano ainda mais gritante do que sua falta de talento e onipresente canastrice fariam supor.

Dessa forma, enquanto cresce em escala, adicionando cenários grandiosos e efeitos, então, de última geração, a refilmagem e suas seqüências/spin offs — “O retorno da múmia” (“The mummy returns”, 2001), O Escorpião Rei (“The Scorpion King”, 2002), “A múmia – Tumba do Imperador Dragão” (“The mummy – Tomb of the Dragon Emperor”, 2008) e “O Escorpião Rei – A saga de um guerreiro” (“The Scorpion King – Rise of a warrior”, 2008) — perdem progressivamente em criatividade, densidade e competência. Elementos esses, ao contrário, abundantes aqui.

Esse empobrecimento, aliás, pode ser verificado em diversos títulos que ganharam releitura recente, como “O dia em que a Terra parou” (“The day the Earth stood still”, 1951), por exemplo. Michael Rennie não apenas é um ator mais apto que Keanu Reeves, protagonista do remake de 2008, como o Gort original, embora composto por uma roupa obviamente artificial e de proporções estranhas, é muito mais ameaçador que sua contraparte digital. Além disso, do desenrolar da trama ao próprio design da produção — visionário ao retratar os equipamentos da nave de Klaatu —, passando mesmo pelo clima do filme, tudo é mais adequado que na refilmagem.

Provas de que, em Hollywood, cifras milionárias não são capazes de garantir boas idéias e qualidade se o material humano não acompanhar de perto as preensões.

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“Nell”

De Rômulo e Remo, os mitológicos fundadores de Roma, alimentados por uma loba, às gêmeas Amala e Kamala, criadas por uma alcatéia no jângal indiano, passando pelo destemido Tarzan, que conquistou a liderança do clã de chimpanzés que o “educara” após ser abandonado nas savanas africanas com força e honra, a história, a ciência e ficção já tiveram sua quota de humanos selvagens. Esses personagens vêm sendo, ao longo do tempo, analisados e discutidos à luz da antropologia, da sociologia, da psicologia e da filosofia. Assim sendo, o que a assustadiça personagem título de “Nell” (Idem 1995) – longa-metragem homônimo dirigido por Michael Apted sobre texto de Mark Handley, autor, também, da peça de teatro “Idioglossia” (Idem, 1992), na qual o filme se baseia – tem a acrescentar ao debate? Resvalando pelas questões da ética médica, embora não se aprofunde muito, e, especialmente, dialogando com teorias sobre a formação da linguagem e do papel que ela desempenha no entendimento da realidade pelo homem.

Na trama, Nell Kelty (Jodie Foster) foi criada totalmente isolada da sociedade pela mãe, que se tornara uma ermitã após ser vitimada pelo estupro que a gerou. Sem um parâmetro, a mulher cresceu tendo como única referência a figura materna, que a escondeu desde criança dentro da casa sem luz elétrica ou água encanada em que viviam, permitindo-lhe sair apenas à noite, quando olhos maliciosos dificilmente lhe alcançariam. Como resultado, porém, Nell, além de desconhecer o mundo para além dos limites das belas Smoky Mountains, na Carolina do Norte, cultivou uma variação única do inglês, construída, durante o processo de apreensão da fala, sobre a deficiência da mãe, que tivera metade da face acometida por grave paralisia. Essa forma característica de se comunicar era partilhada com a irmã gêmea, falecida ainda nova, e tornou-se completamente misteriosa para os demais com a morte de sua mãe. E é justamente a intrigante improbabilidade do que encontra ao atender ao pedido do xerife de acompanhá-lo até a rústica morada da recém finada senhora Kelty que leva o médico Jerry Lovell (Liam Neeson) a se envolver.

Porém, as boas intenções de Lovell tropeçam nos interesses científicos da psicóloga Paula Olsen (Natasha Richardson), a quem ele próprio pede ajuda, e sua equipe. Sob os olhos do judiciário, eles têm um mês para descobrir se o melhor para Nell é ser deixada sozinha em seu mundo ou ser levada para uma instituição de tratamento adequada. Então, a dupla acaba por descobrir que a figura amedrontada e arredia, de aparente debilidade mental, é o símbolo de que a humanidade pode nascer e florescer nos locais mais adversos e que, não necessariamente, sua civilização é adequada para todos, embora os homens da ciência tenham certeza de que sim.

Apesar da fragilidade da narrativa enquanto cinema, que chega a encarar, por vezes, o tema de forma mesmo pueril, a força da película reside — além da admirável fotografia de Dante Spinotti, que ressalta as belezas naturais dos cenários selvagens — na interpretação de Jodie Foster, que, entregue ao papel, dá corpo e voz a uma personagem que atesta a complexidade do papel da fala na formação do indivíduo com tal intensidade que nos faz ignorar as discrepâncias entre seu comportamento durante a primeira viagem à cidade e o discurso proferido próximo ao final do filme, baseado em raciocínios mais intrincados, que a fazem parecer conhecedora do sistema social vigente de forma mais completa que sua experiência poderia fazer supor.

De fato, talvez pela complexidade do tema, depõe contra o filme, principalmente, a aparente indecisão da forma como Nell é tratada. Embora tenha sido criada pela mãe, que viveu em sociedade e conheceu as mazelas do mundo, que realizava compras periodicamente, como atesta a chegada do entregador que lhe encontra o cadáver, torna-se no mínimo estranho que Nell se comporte, por vezes, quase como um animal, a exemplo da cena em que Lovell lhe apresenta a pipoca ou naquela em que é assediada em um bar.Se a mãe lhe ensinava religião, se era sua única companhia e interlocutora, é perfeitamente plausível supor que, embora tenha demonstrado excesso de zelo ao manter a filha em casa, tenha falado, também, sobre outros assuntos do mundo, ou, ao menos, sobre os conceitos que o regem. Afinal, ela certamente questionaria quem entregava os mantimentos ou porque era trancafiada ao menor sinal da chegada de um estranho. Por fim, a regalia deveria ser paga, de forma que a mãe certamente deveria se ausentar para angariar fundos, fosse em um banco, fosse vendendo algo que produzira. De qualquer forma, levantaria dúvidas, dúvidas que tornam a Nell que decide seu destino mais convincente do que aquela que se deixa levar inocentemente por gestos, gostos, sons ou cheiros.

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“Homem de Ferro 2″

Estrelado por um Robert Downey Jr. havia pouco resgatado do ostracismo, “Homem de Ferro” (“Iron Man”, 2008) representou uma mudança radical na forma como as adaptações de histórias em quadrinhos são levadas às telas. A criação do Marvel Studios pela Marvel Enterteinment permitiu, pela primeira vez, que uma editora detivesse controle absoluto sobre a versão cinematográfica de um de seus personagens. Isso significou não apenas contratar diretor, roteirista e elenco, mas emprestar uma fidelidade jamais entendida, ou mesmo pretendida, por executivos dos grandes estúdios, afeitos a somas e não legados. Porém, mesmo essa fidelidade — que, se não engessa, deixa brechas suficientes para novas soluções e abordagens, sem jamais descaracterizar o material original — não foi o maior mérito da iniciativa. Sua grande conquista foi permitir, também de forma inédita, a criação de um universo coeso, que compreende diversos personagens e contos, da mesma forma que nos quadrinhos, algo que se insinuou em uma cena pós-créditos e se cristalizou com a segunda empreitada da recém formada equipe, “O incrível Hulk” (“The incredible Hulk”, 2008).

Começando exatamente onde “Homem de Ferro” parou, a sequência mostra Tony Stark (Downey Jr.) lidando com as consequências de haver revelado ao mundo, durante uma coletiva de imprensa, ser, na verdade, o homem por trás da armadura do Vingador Dourado. E a principal delas — além do assédio, que lhe afaga o ego enorme — é a tentativa por parte do governo dos Estados Unidos de se apropriar de sua tecnologia, que considera uma arma, e, portanto, de uso exclusivo do exército. Comandada pelo senador Stern (Garry Shandling), a abordagem, embora fracassada, planta as raízes do conflito que se desenvolverá entre o playboy inventor e seu melhor amigo, o tenente coronel da força aérea James Rhodes (antes Terence Howard, agora, Don Cheadle, que entra em cena de costas, de forma a facilitar a transição).

Rhodes, como militar, deve obediência ao governo, mas, luta para não prejudicar Tony, embora reprove sua frivolidade e irresponsabilidade. Contudo, o comportamento do bilionário se agrava quando, fragilizado pela descoberta de que o paládio utilizado para alimentar o Reator Ark que carrega no peito a fim de permanecer vivo o está, ironicamente, envenenando, é obrigado a enfrentar dois novos inimigos: o vingativo russo Ivan Vanko (Mickey Rourke), cujo passado se relaciona estreitamente com o da família Stark, e o invejoso e aproveitador Justin Hammer (Sam Rockwell), que assumiu a posição de fornecedor de tecnologia bélica do exército quando a Stark Industries retirou-se do mercado.

A morte iminente afrouxa ainda mais os já poucos limites de Stark, afastando sua assistente pessoal e atual CEO de sua empresa, Pepper Potts (Gwyneth Paltrow), e seu guarda-costas, Happy Hogan (o diretor Jon Favreau), e levando Rhodes a tomar uma difícil decisão. Restará, então, ao Homem de Ferro, buscar no passado, assombrado pela severidade e aparente distância do pai, Howard (John Slattery substituindo Gerard Sanders), forças para sobrepujar esse novo desafio e retomar as rédeas de sua própria vida. Não sem auxílio, é claro, pois a S.H.I.E.L.D., representada por seu diretor, o general Nick Fury (Samuel L. Jackson), e a agente Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), continuam interessados no brilhante inventor.

Dirigido novamente por Favreau, “Homem de Ferro 2” se vale, assim como o anterior, de uma trama eficiente, embora simples, diálogos bem escritos e atores escolhidos a dedo para entregar uma história que harmoniza ação, comédia e até uma pitada de drama sem se perder pelo caminho. No entanto, embora a trama evoque elementos da clássica saga “O demônio na garrafa” (“Demon in a bottle”, 1979), de David Micheline e Bob Layton, em que Stark, completamente alquebrado, sucumbe ao alcoolismo após um colapso emocional, torna-se evidente a tentativa do roteirista, o também ator Justin Theroux, amenizar a queda do bon vivant, ao trocar a o whisky pelo paládio, embora a bebida não esteja ausente e motive uma das cenas mais cômicas do longa-metragem. Do mesmo modo, aparecem aqui e acolá elementos do igualmente memorável arco “A guerra das armaduras” (“Amor wars”, 1988), também de Micheline, dessa vez com Mark D. Bright, durante o qual Stark decide destruir todo produto do roubo de sua tecnologia.

E se a história desgasta um pouco o arquétipo “vilão de armadura”, repetindo-o e tornando um novo uso em um possível terceiro filme algo arriscado, é bastante feliz ao tornar Justin Hammer um personagem diametralmente oposto a Obadiah Stane (Jeff Bridges), vilão do primeiro filme. Dois concorrentes de Stark que transformaram a vida do herói em um verdadeiro inferno em diferentes ocasiões, os personagens guardam, nos quadrinhos, semelhanças que tornariam seu uso tão aproximado perigoso, não fosse a criatividade de Theroux, que, contudo, poderia ter dado mais atenção à batalha decisiva entre o Tony, Rhodes, trajando a armadura Máquina de Combate, e Ivan Vanko, ainda mais veloz que o clímax de “Homem de Ferro.

As interpretações mantêm o nível. Robert Downey Jr., ainda irônico e cínico, nasceu para viver Tony Stark. Don Cheadle empresta mais carisma ao seu Rhodes, enquanto Gwyneth Paltrow, o diretor e Samuel L. Jackson ganham mais espaço para seus personagens, embora careça, ainda, ao último, uma interpretação que torne seu Fury realmente diferente dos demais personagens que já interpretou. Scarlett Johansson faz uma agente fria, que, ao contrário do alguns apontam, possuiu, sim, papel definido e importante no contexto, não sendo mero atrativo visual. Mickey Rourke se esforça no sotaque e lida bem com o papel de físico e gênio científico brutalizado por uma vida de crimes, chegando mesmo a exibir as estrelas que identificam seu personagem como um “vor v zakone”, um “ladrão chefe” da Bratva, a máfia russa. Já Sam Rockwell é eficiente em compor uma versão covarde, invejosa pouco competente ou carismática do próprio protagonista, emprestando-lhe uma aura de infantilidade quase repulsiva. Mesmo Garry Shandling brilha em suas breves passagens pela tela.

Por fim, vale ressaltar a exploração cada vez maior da superciência característica aos quadrinhos do Homem de Ferro, que dá um passo além da criação de armaduras nesta sequência. É importante observar, também, que o filme continua prestando homenagens a elementos importantes dos quadrinhos, que, ainda que não sejam aplicados tal qual a celulose, ganham divertidas citações. E, se no primeiro longa metragem foi lembrado o papel do Vingador Dourado como guarda-costas de Tony Stark, aqui, a armadura vermelha e prateada, batizada Centurião de Prata, aparece de maneira inusitada e criativa. Isso sem esquecer das dezenas de easter eggs espalhados ao longo do filme. Uma referência aparentemente velada, e outra franca, ao Thor, um novo vislumbre do escudo do Capitão América ainda em produção, ligações com “O incrível Hulk” e outras surpresas aguardam os fãs mais atentos.

Se não é tão bom quanto o primeiro filme da franquia, “Homem de Ferro 2″ é melhor que a incursão do Golias Esmeralda e dá uma continuação digna à história do Gladiador Dourado.

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