Teatro e música fecham Semana Espírita de Campos

IMG_1306IMG_1335IMG_1337IMG_1444A “Noite de Arte”, com música e apresentação do grupo teatral comandado por Adáisa e Gustavo Aráujo, fechou, na noite de domingo, a programação da Semana Espírita de Campos. O tema deste ano foi “Em Defesa da Vida”. O evento foi promovido pela Liga Espírita de Campos. (fotos: Carlos Grevi)

Kapi, missa de um ano nesta sexta-feira

KapiNo último dia 3, completou-se o primeiro ano da partida do nosso amigo-irmão Antonio Roberto Kapi, que deixou a terra de Ponciano e do Lobisomen para fazer Arte em outras Planícies. Amanhã (sexta-feira, dia 29), estaremos reunidos, na Catedral Diocesana de Campos, a partir de 12h (Missa do Meio-Dia), agradecendo a Deus pelo presente que foi o convívio fraterno com o poeta Kapi e pedindo ao Divino Pai Eterno que continue o acolhendo em Sua Infinita Paz. Fica aqui o convite a todos os amigos e familiares.

USINA

(Antônio Roberto Kapi de Góis Cavalcanti)

Usina são uns olhos
despertos antes do sol,
a boca mal-lavada
num gole de café…
e um esfregar de mãos
para aquecer o dia.
Usina é uma longa
E curta caminhada,
Inventada em carrocerias,
carroças e bicicletas.
Ou um usar de pés
pra se fazer o dia.
Usina é um balé!
de lenços-de-cabeça,
camisas de xadrez,
foice e facão…
entre gole e outro
de café,
Usina é um apito
de sol a pino,
feito de marmitas,
quando os olhos nada dizem
e as bocas são limpas
por mãos em costas.
Usina é um gosto
(doce-amargo)
de uns caldos escorrendo,
ora nas moendas
ora nos moídos…
É um fazer de conta,
Pós-apito,
Na birosca ao lado
Com uns parceiros:
Um remedar da vida.
Depois
Um mal dormir
De pais e filhos
(de fome, de frio, de medo)
Para que antes que o sol
Se tenha despertado,
— USINA É USURA!
São uns olhos
Que se estendem
Quando em vez
À casa-grande…
São umas vidas
Escapando pela chaminé

Rádio sem o “Moço de Fé e das Canções”

Além da “Ave Maria”, com a qual contabilizou quase seis décadas no rádio de Campos, Valdebrando Silva, que faleceu no último dia 21, também apresentava programas musicais nas manhãs de sábado e domingo. Chegou, inclusive, a batizar um deles como “Sábado sem graça”, originalidade da qual somente Valdebrando seria capaz. Aliás, como falta originalidade no batismo de alguns produtos de mídia em Campos. O quadro “Encontro de Corações”, tradicional do “Programa Nilson Maria”, tem hoje uma versão pirata sem qualquer preocupação com ética, seriedade e elegância.

É comum encontrar pessoas que se tornaram ouvintes de Valdebrando pelo rádio ligado em suas casas nos tempos de infância e adolescência, herdando o costume de seus pais. Entretanto, neste universo pode se encontrar, num número bem menor, jovens que tomaram a iniciativa de optar pela sua mágica comunicação. O meu caso não deve ser o único, mas me tornei seu admirador pelos dois motivos: além de ter um pai apaixonado por rádio e ouvinte dos programas musicais de qualidade, eu mesmo tomava a iniciativa de sintonizar no Valdebrando, sobretudo nas manhãs de domingo.

Ao optar por buscar a profissão de comunicador, coisa que faço sem brilhantismo, mas com razoável competência, acabei por me tornar amigo de Valdebrando, o que carrega este texto de passionalidade e dele tira o rigor dos analistas críticos.

Mas, não vou aqui deixar de dizer que, mesmo sendo o “Moço de Fé”, não deixava de ter uma personalidade complexa, às vezes duro e combativo, características que não chegava a comprometer seu carisma de comunicador, mas o abasteceu de vigor na defesa daqueles mais carentes, tanto nas suas ações sociais quanto na política, onde os mandatos que recebeu do povo de Campos tiveram votações de percentuais históricos, rótulo de “legítimo escolhido nas urnas”.

Necessariamente, “evoluir” não significa “melhorar”. Exemplo disso é a raça humana que, quanto mais evolui, menos melhora. Assim, vamos admitir que o rádio de Campos esteja “evoluindo”. Evoluiu tanto que a “Ave Maria” foi reduzida e não será surpresa se um dia for exterminada. Seu programa musical, que chegava aos rádios junto com o primeiro raio de sol nas manhãs de domingo, virou noturno, num “horário morto”.

Entretanto, no Céu existe uma emissora de rádio e Valdebrando Silva foi chamado a apresentar programas para a Mãe Santíssima de Jesus Cristo ouvir.

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<<< artigo publicado na edição impressa da Folha da Manhã de hoje >>>

Rádio de Campos perde Valdebrando Silva

Na Gruto do Menino Jesus de Praga, completamente tomada por amigos e ouvintes, no dia 12 de junho de 2009, Valdebrando chega às lágrimas na Festa dos 50 anos de apresentação da “Ave Maria” no rádio (foto: Antunis Clayton)

Na Gruta do Menino Jesus de Praga, completamente tomada por amigos e ouvintes, no dia 12 de junho de 2009, Valdebrando chega às lágrimas na Festa dos 50 anos de apresentação da “Ave Maria” no rádio (foto: Antunis Clayton)

Pouco mais de uma semana após perder José Nunes da Fonseca, o rádio de Campos se entristece com a morte de Valdebrando Silva, “o Moco de Fé”, apresentador da “Ave Maria” durante mais de 50 anos, além de programas musicais nas manhãs de domingo (recentemente, seu programa musical passou para a noite dominical).

Valdebrando Carvalho Silva tinha 78 anos, foi vereador por dois mandatos e vice-prefeito de Campos, elegendo-se em 1984 na chapa encabeçada por Zezé Barbosa. Homem de personalidade forte, espírito às vezes explosivo, mas muito querido pelos seus amigos e pela comunidade. Através do rádio, realizou inúmeras campanhas sociais, sobretudo na doação de cadeiras de rodas.

Seu velório está acontecendo na Gruta do Menino Jesus de Praga, que ele construiu com a ajuda dos amigos e da comunidade, no início da Rua Gil de Góis. Seu sepultamento está marcado para às 17h, no Cemitério do Caju.

Rádio sem cátedra (Antunis Clayton)

Qualquer pessoa que tem amor pelo rádio e dedica algum tempo a estudos de sua história, pretérita e contemporânea, tem a constatação de realidades antagônicas em relação à sua presença no dia-a-dia do homem. Mesmo com passionalidade, não se pode deixar de admitir que os avanços tecnológicos trouxeram um prejuízo considerável para o rádio. A televisão, por exemplo, colocou a imagem no lugar da imaginação. Tomou o lugar do rádio na estante na sala e na contemplação das noites em família. Mas, nos restava o discurso de que a TV não tinha o imediatismo do rádio. O rádio fala ao vivo primeiro. Falava. Essa condição foi pro espaço com a chegada da internet e, sobretudo, das redes sociais. Hoje é possível gravar um assassinato e postá-lo em menos de um minuto. São realidades que não podemos jogar para baixo do tapete, mesmo com a paixão radiofônica latente.

Mas, não podemos deixar de enumerar algumas realidades que mantém o rádio como “o mais encantador veículo de comunicação”. O dono do açougue abre seu estabelecimento comercial logo no início do dia, liga o rádio e, caso prefira uma emissora de programação descente (não aquelas infestadas de programas locados, sobretudo para políticos que nada tem a dizer) atravessa toda a jornada de trabalho numa agradável companhia, ouvindo músicas de qualidade e notícias atualizadas, sem o risco de errar no troco ou ferir-se com o instrumento de trabalho. O rádio informa e entretém sem incomodar. Se esse nosso personagem precisar sair para uma atividade fora do estabelecimento, o rádio continua atuando no carro, da mesma forma. No final de semana, na pescaria ou outra qualquer atividade recreativa, a versão portátil (geralmente a pilha) compre a função. Só o rádio faz isso.

Outra virtude do rádio, que o difere dos demais veículos, sobretudo a TV, é a não necessidade do padrão das ditaduras estéticas. Por isso, é possível observar, sobretudo nos grandes centros e principalmente no Sul do Brasil, as emissoras prestigiando, de forma digna, os locutores mais experientes, com uma condição privilegiada em sua grade de programação. Luiz Mendes, “o comentarista da palavra fácil”, como ficou conhecido, trabalhou como comentarista esportivo da Rádio Globo até bem próximo de sua morte, aos 87 anos, em outubro de 2011. A emissora carioca permitiu e até incentivou a montagem de um estúdio em sua casa, de onde acompanhava as partidas de futebol (off-tube) e as comentava através de uma linha que ligava este estúdio com a Globo. Uma homenagem a um dos principais nomes do rádio esportivo brasileiro, um homem que narrou a decisão da Copa de 1950, no Maracanã, pelo microfone 1220.

O italiano Claudio Carsughi, que chegou ao Brasil em março de 1946, se notabilizou pela atuação em emissoras paulistas, sobretudo nos comentários a respeito de futebol e automobilismo. No ano passado, aos 83 anos, foi contratado (leitor, preste atenção, eu escrevi “contratado”) pela Rádio Nacional (RJ). José Silvério, principal locutor da Rádio Bandeirantes (SP) e, na minha opinião, o melhor do Brasil na atualidade, tem 70 anos.

Entretanto, em Campos, onde o rádio agoniza, raríssimos (se houverem) são os casos de profissionais amadurecidos ocupando os microfones de forma digna e descente, recebendo das emissoras para trabalhar, garantindo qualidade à programação e ajudando a formar os meninos e meninas que queiram se profissionalizar.

Eu, felizmente, cheguei a contar com alguns desses mestres. E um deles foi “O Catedrático” José Nunes da Fonseca, que agora é saudade no coração dessa gente apaixonada pelo rádio e pelo rádio esportivo. Nunes merecia ser melhor cuidado pelo rádio que ajudou a edificar (já estou ouvindo sua voz mansa dizendo “deixa isso prá lá”). Assim que chegou seu tempo de aposentadoria foi jogado para o lado, da mesma forma como abandonamos a embalagem de um produto que acabamos de consumir. A evolução tecnológica, exatamente aquela que falei que “destronou o rádio”, poderia ter sido utilizada para que Nunes tivesse maior tempo de atuação, um honraria maior para o rádio do que para ele mesmo. Com certeza, se tivesse comprado um horário, como muitos descredenciados e pseudo-comunicadores fazem, ou se tivesse peregrinado de sol a sol, na busca da propaganda, uma busca que hoje se mostra nada digna e ética, teria morrido diante do microfone.

José Nunes da Fonseca pode não ter sido o Senhor da Rádio, mas foi Senhor da Elegância.

 

Artigo publicado neste domingo,dia 14, na edição impressa da Folha da Manhã

Jornalismo de Campos perde “O Catedrático”

Este blogueiro entre dois mestres: Orávio de Campos Soares e José Nunes da Fonseca

Este blogueiro entre dois mestres: Orávio de Campos Soares e José Nunes da Fonseca

Morreu na madrugada de hoje José Nunes da Fonseca, uma legenda do rádio e das redações de jornais de Campos. Seu corpo está sendo velado no Cemitério Campo da Paz e será sepultado às 13h30. Militante da crônica esportiva, Nunes, chamado pelos companheiros de Catedrático, costumava permear seus comentários de histórias e curiosidades do esporte e rádio.

Morre o comunicador Luis Mauricio

Luis Mauricio (foto: Facebook Rui Uhlmann)

Luis Mauricio (foto: Facebook Rui Uhlmann)

Fico sabendo e me entristeço com a morte do jornalista e radialista Luis Mauricio de Souza e Silva, de 52 anos. Tomei conhecimento através do Facebook, nas páginas dos companheiros Rui Uhlmann e Ricardo Salgado. Segundo informações iniciais, Luis passou mal na manhã de hoje depois que a casa de um vizinho pegou fogo. Ele chegou a ser atendido no Hospital Ferreira Machado com complicações cardiorrespiratórias, não resistiu e veio a falecer.

O incêndio na residência foi noticiado AQUI no Portal da Folha da Manhã.

Chuva fraterna (é Kapi)

Unnamed1bChuva no meio da tarde.

Chuva que molha a Baixada,

de Cândido, Ponciano e do Lobisomen,

chuva nos canaviais.

Chuva que aperta o passo,

que deixa tudo mais calmo.

Chuva que preocupa… e faz relaxar.

Chuva que junta crianças,

que cai na vidraça,

que molha quintais, varandas e plantas.

Chuva que pede um café,

que acende uma chama,

que reúne em prosa.

Chuva que adoça o Sertão,

que cai aqui e alí,

que cai na Pelinca,

chuva que irriga a Planície.

Chuva que chega mansa e aconselha,

chuva que faz barulho, grita e desperta,

chuva de abril,

é Kapi.

Antunis Clayton (21/abr/2015)

Kapi, “irmão” na arte da vida

Junto com Kapi, na festa logo após a apresentação do vídeo, em entrevista a Tania Borges (Plena TV)

Junto com Kapi, na festa logo após a apresentação do vídeo, em entrevista a Tania Borges (Plena TV)

Um dos trabalhos mais belos e dos quais mais me orgulho foi um vídeo-documentário-testemunhal que produzi juntamente de Kapi, que na carteira de identidade também é identificado como Antonio Roberto Gois Cavalcanti. Mas, para que o DVD ficasse pronto em tempo para a ocasião com data marcada (uma festa de aniversário), além de quase uma semana de gravações, foram necessárias três noites em claro diante de uma ilha de edição, tendo como companhia Lucas Rodrigues, na época um menino, muito competente, mas permeado com a ansiedade própria dos jovens.

Para aqueles que não conhecem uma ilha de edição, explico que se trata de um computador com uma tela imensa, uma espécie de mesa de corte. Ficávamos sentados os três juntos, tendo Lucas no meio dos dois, operando o equipamento, enquanto eu e Kapi falávamos aquilo que desejávamos para o trabalho. As vezes, um dos dois arrastava ou inclinava a cadeira um pouco pra trás, com o objetivo de trocar uma ideia ou outra, enquanto Lucas terminava uma ação ou mesmo aguardava a definição dessa “conferência”.

Por fim, o cansaço era enorme, mas o prazer da realização impressionante. Numa determinada ocasião, não me lembro bem o porquê, Lucas perdeu a paciência e entrou numa discussão desnecessária com Kapi, que tinha gênio forte e não “refrescava” pra ninguém. Então, puxei Lucas pelo braço e o repreendi, fazendo que ele abrisse os olhos para o expoente que estava à sua esquerda, o nome genial que estava assinando aquele vídeo com ele. Recordo as palavras que disse na ocasião. “Menino, quando este vídeo for mostrado, me orgulhará mais a minha assinatura junto da assinatura de Kapi do que o conteúdo que produzi. E olha que eu sou macaco velho”.

Recado dado, o trabalho continuou com a brilhante edição de Lucas e o resultado foi fantástico. O produto final elogiadíssimo e eu ganhei certo norral (ou know-hall, pra quem preferir) na área de produção e edição de vídeo debutando ao lado de Kapi.

Hoje, Sexta-Feira da Paixão, quando chego à Curva do Rio, encontro a notícia da morte de Kapi, que cheguei a visitar enfermo e disse que o amava (e repito aqui). Kapi era dessas pessoas que não passavam despercebidas pela vida de ninguém, ele tinha a marca da opinião forte e da amizade, além de um sorriso inconfundível.

Não lembro bem por qual ocasião, mais lhe dei um presente: um livro meio biográfico, com pequenas passagens da vida de São Francisco de Assis. Como Francisco foi o primeiro homem na História do Cristianismo a chamar sua comunidade de fraternidade, fecho essa postagem pedindo que Nosso Senhor Jesus Cristo acolha o “meu irmão Kapi”.

Um palácio e uma lente

10842093_806342046081926_7061209008602246650_oNesse período no universo da Comunicação, trabalhei com “caras” que são profundos conhecedores da fotografia. Entre os expoentes nessa turma está Wellington Cordeiro. Hoje, a partir das 19h, “Cordeiro de Deus” (como costumo chama-lo), na condição de curador, realiza a abertura da “Exposição Câmara Fotográfica”, uma mostra coletiva em homenagem aos 80 anos do Palácio Nilo Peçanha, onde hoje funciona a Câmara Municipal de Campos. São trabalhos de 30 fotógrafos, expondo seus olhares do palácio Nilo Peçanha. Vale a pena prestigiar.

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